Paralelas
Esta postagem foi publicada em 8 de dezembro de 2017 e está arquivada em Paralelas.

Deleta

Tolice agradar a todos. O contrário, também. Sensato é o caminho do meio, embora medíocre. Autenticidade, uma ofensa. Dizer o que se pensa, nem pensar!

Sinceridade demais mata ou cura? Isso se aprende errando ou acertando? Não responda, nem ultrapasse. Se não beber, dirija, mas se beber, case logo para não se arrepender.

Na calada da noite, os imbecis se reproduzem em rede. Todo mundo é manchete, tem família e dentadura postiça. Os feios não existem mais. Ninguém mora onde está, todos viajam e quase ninguém mais silencia. Nem dorme.

Você é igual a quem? Siga a maioria, corretamente político, para contentar a si mesmo e aos mais iguais que os outros. Poste o que ninguém vai ler, mostre o que todos querem ver. Nunca esqueça o celular, e nem o carregador para não travar a vida. Pilha e fax são coisas antigas, mas ainda existem. Ingenuidade, também.

Café é orgânico, vinho é alimento, como livros e música, amor e amigos. Suspire em baforadas, desconfie de quem diz nunca. Duvide sempre dos que sabem tudo, acredite no desconhecido e no olhar de quem segura a tua mão.

Ali na esquina tem uma aldeia vendendo bombons. Não existe mais arco e flecha. Os índios atrapalham a tua paisagem?

Paçoquinhas a um real enganam a fome, adoçam a infância perdida que escoa pela sarjeta sem ninguém se importar. Uma criança acaba de ser engolida pelo buraco no meio da rua. Sumir pode ser a solução.

Tolice agradar a todos! O contrário, também. Somos unânimes no descaso, solitários na ignorância, egoístas na sabedoria, indiferentes na escolha, livres e arbitrários.

Sorria, você está sendo filmado.

Esqueça, você já foi deletado.

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