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Depois de Sapiranga, Dalciso anuncia debates sobre setor calçadista em Parobé e Igrejinha

Encontros são trabalho da Frente Parlamentar que discute a desindustrialização do setor no estado.
Dalciso apresentou dados relacionados à queda de participação do setor calçadista no PIB gaúcho e brasileiro. Divulgação / Jaqueline Riek

O deputado Dalciso Oliveira (PSB) coordenou, nesta quinta-feira (4), debate realizado em Sapiranga durante audiência pública que tratou de temas relativos ao setor coureiro-calçadista. A atividade faz parte dos trabalhos de uma Frente Parlamentar que está colhendo informações sobre a redução dos empregos, a migração de empresas e a desindustrialização que o setor vem enfrentando no Rio Grande do Sul. Dalciso anunciou que, após esta reunião em Sapiranga, outras duas audiências acontecerão no Vale do Paranhana: no dia 12 de julho (sexta-feira), em Parobé, e no dia 15 (segunda-feira), em Igrejinha. Novo Hamburgo ainda terá um debate neste mês, em data a ser definida.

O parlamentar iniciou o debate em Sapiranga apresentando um vídeo sobre a composição dos impostos no preço final dos produtos e esclarecendo os problemas causados pela guerra fiscal. Ao enfatizar a importância que a indústria tem como máquina propulsora para a economia do estado, Dalciso lembrou das dificuldades pelas quais o setor coureiro-calçadista vem passando, especialmente, na última década. “A indústria nacional do calçado já teve uma participação de 35% no PIB brasileiro, nos anos 80”, frisou.

Em sua fala, o parlamentar lembrou que o Rio Grande do Sul é o principal polo calçadista do Brasil, correspondendo a 11,2% do PIB da indústria gaúcha e 17% de todo emprego industrial. “O maior cluster calçadista do mundo vem sangrando com o fechamento de empresas que desde 2007 caiu 14,4%, culminando na diminuição de 22% dos empregos do setor no RS. A desindustrialização é um fenômeno complexo que devemos compreender e atacar de forma sistemática, buscando um ambiente de melhor competitividade”, apontou Dalciso.

Prefeita de Sapiranga, Corinha Molling (PP) elogiou o trabalho de Dalciso em defesa do setor calçadista. Disse que “ele não é um político aventureiro e que todos os participantes do debate são pessoas que amam e sabem fazer sapatos”. Cleo Hendges (PROS), vice-prefeito de Nova Hartz, salientou que as empresas do setor calçadista garantem o sustento de milhares de trabalhadores e fez apelo: “Nossas empresas são guerreiras, mas pedimos socorro. Precisamos do apoio do Estado”.

Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), falou que a perda de competitividade no mercado nacional reduziu muito o volume das exportações de calçados. “Nos últimos anos, perdemos 55 mil postos de trabalho na indústria calçadista no RS. Estamos passando pelo período de dificuldades mais alongado neste setor”, revelou. Reforçando o discurso, João Batista da Silva, presidente da Federação dos Sindicatos de Sapateiros de Sapiranga que representa 11 sindicatos e 92 mil trabalhadores, lamentou a perda dos postos de trabalho e declarou: “A desindustrialização é grande e não está apenas no setor coureiro-calçadista. Ela afeta todos os outros setores.”

Representando a Receita Estadual e a Secretaria da Fazenda, o delegado Alcides Seiji Yano relatou enxergar melhores perspectivas para o setor e anunciou que está sendo estudada a possibilidade de adequação na arrecadação de impostos, ainda que esta não se iguale ao valor praticado no estado de Santa Catarina. Aos presentes, disse admirar a capacidade do povo gaúcho em se recriar. “O povo gaúcho tem condições de se reinventar novamente e, juntos, construiremos um novo cenário”, finalizou.