Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 5 de fevereiro de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Desabafo para não esquecer

A questão da (in)segurança pública voltou a atrair minha atenção nesta semana, depois que um oficial da Brigada Militar, comandante do policiamento da capital gaúcha, fez um desabafo numa entrevista ao jornal ZH, em que pedia que as autoridades políticas lhe dessem mais segurança. Como o assunto sempre me interessou, tendo inclusive me levado a integrar o Consepro taquarense, utilizo este espaço para acrescentar algumas coisas que entendo relevantes, ainda mais neste ano eleitoral.
Na entrevista, o oficial não disse nenhum absurdo, apesar da veemência com que criticou governantes, deputados e juízes pela falta de ação contra a violência. “Estamos cansados de prender e vê-los (juízes) soltar. Mas sabemos que isso é mais culpa dos políticos, que não fazem as leis que deveriam” foi o que disse o comandante, resumidamente. No espaço de opinião que disponho semanalmente, na Rádio Taquara 1490 AM, fiz no ano passado vários comentários seguindo na mesma linha de raciocínio do oficial. Quando precisa de segurança, tendo sido vítima de algum tipo de crime, é aos órgãos policiais que um cidadão recorre inicialmente. Policiais militares e civis deparam diariamente a necessidade de atender a esses apelos, mesmo nem sempre tendo as condições ideais para cumprir suas tarefas.
E quando não encontram na Brigada nem na Civil a resposta que precisam, os cidadãos muitas vezes nem lembram que o policial tem um patrão. E não estou me referindo aqui ao próprio cidadão que paga impostos, mas sim àqueles que são pagos por nós para administrar nossas cidades, nosso Estado e nosso País. Sim, somos nós que sustentamos os agentes públicos, mas eles tem a responsabilidade de atender aos nossos anseios, mostrando eficiência na gestão do ente público. Ente este no qual estão inclusas as forças policiais que devem nos proteger.
Além disso, também somos nós que contratamos (durante o processo eleitoral) aqueles que devem elaborar as leis que vão nos garantir direitos. Portanto, temos sim o direito de cobrar de governantes e deputados as ações que eles precisam e devem fazer em defesa da sociedade. Daqui a pouco menos de nove meses, estaremos todos envolvidos nesse processo de contratação. É hora de começar a pensar bem em quem elegeremos para conduzir o País e o Estado a partir de 2011. Precisamos ser cada vez mais participativos nesse processo. O desabafo do comandante da Brigada não pode ser esquecido como apenas mais um momento de quebra de hierarquia, mas sim como um marco de que a situação está começando a ficar incontrolável.
João Müller
Jornalista

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