Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 28 de janeiro de 2011 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Desastres naturais – faça, também, o seu dever

Toda vez que desabam chuvas a cântaros ou que ventos poderosos uivam nas guinchas dos galpões e casas, sabe-se: teremos desastres! Por vezes, apenas com prejuízos materiais e outras, mais graves, com perdas de vidas. E, não estou a falar de possibilidades remotas, de “haitis, chiles, teresopolises ou petropolises” (desculpem os plurais de efeito, talvez, gramaticalmente, impróprios). Falo de Taquara, aqui sob nossos pés, nossos olhos e vítima do nosso comportamento inadequado, por outra, irresponsável, e que se volta contra nós, fazendo-nos, nós mesmos, as próprias vítimas da nossa insânia. Mas, indiferentes ficamos, tão só quanto às nossas responsabilidades, pois sempre apontamos para um culpado. Toda vez que isto acontece apontamos para o governo. O governo não fez isto ou o governo deixou de fazer aquilo. Precisamos culpar alguém, desde que não seja qualquer um de nós. O governo, bradamos nós, é responsável pela chuva em demasia, pela água que subiu, pelo vento poderoso que lançou telhados ao espaço e pelos escorregamentos de solo. Passados os eventos, amenizada a ira por conta da responsabilização do indigitado culpado, tudo volta ao normal. Voltamos à normalidade mantendo nosso comportamento relaxado e autofágico. Continuamos com a nossa rotina destruidora de jogar lixo em qualquer lugar e de qualquer forma, de lançar objetos e papéis, sem nenhum pudor, nas ruas e logradouros públicos. O lixo, sabem vocês, enfeia as paisagens, veda “bocas-de-lobo”, entope as canalizações, que já subdimensionadas, em face dos fenômenos pluviométricos, pouco dão conta de vazar a chuvarada. Como consequência disso, as águas acumulam-se nos pontos mais baixos do terreno, inundando logradouros, impedindo a circulação de pessoas e veículos, transtornando a vida da comunidade. A causa disso já sabemos, mas não agimos com respostas racionais. São sacos de plástico das compras diárias, são copinhos de sorvete, garrafas de vidro, garrafas PET, lâmpadas, embalagem longa-vida, baganas de cigarro, papéis, folhetos comerciais a desfilarem pelas ruas, descartados sem nenhum pudor. Observa-se, ainda, que nas construções, seus responsáveis depositam areia nas sarjetas, resíduos de concreto das betoneiras escorrem pelas vias públicas e, levadas ou não pela chuva, vão entupir a canalização, quando não, os sacos de cimento, deixados ao léu, de forma relaxada, em qualquer lugar, que, carregados pela enxurrada ou pelo ventos, vedam as entradas do sistema de drenagem, impedindo o escoamento das águas.
Quando ouviremos os sinais de que a natureza pede socorro? Quando teremos o sentimento de pertencer a um espaço finito, o qual merece o nosso cuidado? Quando deixaremos de alimentar este autofágico, sutil e perverso modo de vida, onde o consumo é o que importa e seus resíduos não são problema meu? Quando cada um de nós cuidará do nosso lixo sem comprometer a comunidade? Depois de refletir sobre os reflexos do nosso procedimento para com a comunidade, aí sim, caberá apontar para os governos e exigir: Façam também a sua parte!
Cláudio Silva da Rocha
Vereador do PDT – Taquara

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