Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Nunca houve uma “greve geral”. Se houvesse, não saberíamos os acontecimentos da “greve geral”. A imprensa também estaria parada. Sacou?
Amanhã, completam-se 12 anos da primeira publicação desta coluna, “Penso, logo insisto”, no PANORAMA, ocorrida em 2005. Já estou, de brincadeira, pensando em um novo título: “Penso, logo resisto”. Seria mais autobiográfico. Isto me faz afirmar, apesar de sempre haver desconfianças conspiratórias de manipulações da opinião pública atribuídas a posicionamentos ideológicos da mídia, no respeitante a mim jamais ocorreram. Ou você acredita que tais suspeitas só existem quando envolvem veículos de grande circulação? Nos meus textos, nunca tive qualquer diretriz impondo opinião não ditada por minhas crenças. Sabem a razão? Porque, como publiquei no meu tuíter de 23/06/2017, “Nem toda censura é despótica! Existe uma que é a mais democrática das ações. Chama-se ‘autocensura’. (…)”. Por isto, tenho sido livre para escrever, sem precisar de diretrizes. Eu pratico a censura particular e não tenho pejo algum de tratar, ou não, de assuntos por mim escolhidos previamente. Não gostaria de pautar minha conduta de escritor por padrões externos aos meus pensamentos. E nisto não vai nenhuma atitude de heroísmo. É a paz com a consciência.
Pode acontecer que determinada opinião aqui exarada seja contrária à de um leitor, mas, convenhamos, quem pensa igual aos outros? Até dentro das sociedades familiares, infinitamente mais restritas do que a sociedade global, existem conflitos de opinião só administráveis mercê de boa vontade e concórdia entre seus componentes. O mais difícil da convivência é aceitar as diferenças. Permitir ao interlocutor o direito de gostar de sushi – claro, aqui é metáfora! –, muitas vezes é quase insuportável, pois como pode alguém ter um gosto tão estranho? Porém é a melhor, se não a única, maneira de convivência.
Faço estas considerações no embalo dos últimos ruídos de regulamentação da imprensa. Volta e meia essa estupidez vem à tona. Desta vez, retorna insuflada por quem sempre teve como estandarte o combate sem trégua à censura instaurada pelo regime militar de 1964. Não adianta! Todo o ditador começa sua nauseabunda tarefa pelo cerceamento ao pensamento alheio, impedindo que outras pessoas tirem conclusões, principalmente, sobre seus atos. Ditadores sofrem de algo por mim classificado como “complexo de Moisés”: acreditam, cegamente, ter ligação direta com Deus e estão sempre descendo a montanha, carregando tábuas com mandamentos a serem obedecidos sem qualquer contestação. Acreditam ser sua palavra a própria palavra divina.
Para nossa tranquilidade, o melhor a fazer é manter Moisés longe da montanha e ensinar a ele o significado da autocensura. Essa não machuca ninguém!


