Corroborando com o texto desta coluna, da edição número 2085 de 25/05/2012, de autoria do senhor Herivelto Cunha, está a minha opinião. É sem a menor sombra de dúvidas que o despreparo dos vendedores e atendentes do comércio taquarense é descabido. Descabido no sentido da falta de preparo, leia-se bem.
Pessoalmente também tive minhas constatações. Varia de vendedores de motocicletas a atendentes de bancos. Há, em Taquara, vendedores de motocicletas que nem habilitação da categoria “A” possuem. Daí a pergunta: “Dá pra se confiar na opinião de tal sujeito sobre as qualidades de tal motocicleta, se o sujeito que a está vendendo não é habilitado a manuseá-la para emitir tal parecer?”
Mas como foi dito anteriormente nesta coluna, a culpa não é do vendedor. A culpa é de alguém que entendeu que ele é um vendedor e o pôs nesta função. Recentemente presenciei um fato que me deixou preocupado. Estive em uma agência bancária da cidade, a fim de esclarecimentos sobre contas, e enquanto eu era atendido pela moça da mesinha, a outra atendente da mesa ao lado prestava esclarecimentos a uma senhora sobre seguros. A tal senhora, por espontaneidade, foi ao banco a fim de contratar um seguro. E que esclarecimentos!
Por ética fiquei quieto, mas não pude deixar de escutar a conversa. Fiquei com medo que percebessem a atenção que eu dedicava naquele momento ao assunto “seguros” que a moça desenvolvia. Garanto que bem mais interessado fiquei do que no meu assunto a que ali estava para resolver. Resumindo, era patético! Pensei na possibilidade desta senhora ter de utilizar o seguro, caso tenha sido contratado, no futuro. Sinto dizer, mas ela terá algum trabalho.
Daí eu fico pensando…. É disso que vêm todas as reclamatórias posteriores, que inundam o Judiciário, os Procons, os “0800 da vida” e por aí afora. A culpa é da própria empresa que já começa tudo errado. Ou seja, já vende tudo errado logo no início. A culpa não é do atendente, vendedor (a). É, novamente da empresa que o (a) pôs nesta função.
Apesar de eu ter apenas 35 anos, na minha época de “piá” ainda existiam bons vendedores dos mais variados gêneros. Lembro de vendedores serem disputados pelos clientes por causa de suas qualificações. Lembro de vendedores chamarem clientes que há muito não viam pelos seus nomes, quase que completos. Lembro ainda de vendedores que sabiam exatamente os números de nossas roupas, de nossos calçados, a cor preferida de nossos carros, e se duvidar, sabiam até o endereço de entrega para tal produto. Vendedores que sabiam dar a dica excelente para um presente, e até mesmo, se o “presenteado” iria gostar do tal artigo.
E o mais importante… dominavam o assunto a que se propuseram. Esses antigos não voltam mais. Mas ainda há tempo para os novos qualificarem-se a tanto, se as empresas permitirem. Se as empresas permitirem, não será jogado fora todo o dinheiro gasto em marketing, propagandas, nem mesmo será jogada fora a “boa” intenção destas empresas.
Por último… existe a questão salarial. É de se pensar mais a fundo. Estaremos exigindo muito dos vendedores atuais?
Vinicius Pinto
Corretor de Seguros


