Estava relendo os diários de viagem do Che, quando lembrei que tinha me presenteado com ele já haviam passado dez anos. Um piscar de olhos. Para poucos, muita coisa muda. Já para outros nem tanto. O ano de 2001 era logo ali. Vai ficar na história pelo atentado sofrido pelos Estados Unidos com a queda das torres gêmeas. Mas prefiro dividir aqui pequenas memórias com grandes significados que ocorreram pra mim dez anos atrás. Havia gasto dinheiro pela última vez comprando CDs. Alguns amigos foram embora tentar a vida em Porto Alegre e Novo Hamburgo. Meu gato Jizmo estava no auge da forma e nem ligava em sofrer algumas quedas involuntárias do terceiro andar e sair ileso. Hoje, já cego de um olho e um pouco desdentado só quer saber de dormir o dia todo. Também gravava ainda fitinhas cassete para ouvir no walkman, enquanto percorria as ruas da cidade no bucolismo dos finais de tarde e nas aventuras noturnas no bairro Ronda. Foi também minha primeira visita ao Templo Budista em Três Coroas, que na ocasião, estava envolto por uma espessa neblina que faria o velho Poe sorrir. Os “cachorrinhos” do Xis do Sérgio eram o almoço e a janta. Teve o último Rock in Rio, aquele do Oasis e Silverchair. Foi o último exagero com o álcool presenciado inclusive pelo patrão que naquela e em muitas outras oportunidades, sempre soube com maestria distinguir a pessoa do profissional. E finalmente, foi o ano que comecei a botar as idéias no papel depois de muita insistência do Jerri Rossato, que acabou resultando nestas divagações dispersas de sentimentos fragmentados. Um pequeno apanhado de lembranças boas e ruins. Imagens, sons e palavras que dez anos ou mais não irão apagar tão facilmente da memória. São tudo pequenas coisas, mas com uma grande relevância: experiência.
Marcio Renck
Esta postagem foi publicada em 1 de abril de 2011 e está arquivada em Caixa Postal 59.


