Paralelas
Esta postagem foi publicada em 26 de julho de 2013 e está arquivada em Paralelas.

Dez anos a mil

roseli santos“É melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez”, profetizava Lobão, numa época em que era necessário viver tudo intensamente. Não aceleradamente, rapidamente, alucinadamente, virtualmente como hoje, mas visceralmente, integralmente, presentemente. Para alguns, lisergicamente; para outros, perdidamente, ininterruptamente, embriagadamente.
E o que você tem feito nos últimos dez anos? Uma década passa voando. Basta um piscar de olhos e, quando se vê, dez anos parecem mil ou mil anos podem não significar nada, dependendo do que se faz com a voracidade de tempo.
Em dez anos você pode casar, ter filhos, se divorciar, trocar de emprego, se aposentar, ir embora do país, voltar para a casa dos pais, ganhar na loteria, falir, comprar um carro, vender a casa, ficar só. Pode fazer novos amigos ou ignorar os que existem, ouvir boa música ou ensurdecer de mau gosto, ler muitos livros ou continuar na escuridão, aprender todos os sabores ou ficar no feijão com arroz, degustar todos os vinhos ou optar pela sobriedade, embriagar-se de amor ou morrer, saltar do penhasco ou fincar os pés sem saber.
Uma década e você já não é mais um quarentão. Some mais dez e já chegou aos sessenta. Quando vê, com saúde e sorte, já ultrapassou as estatísticas. Respire profundamente, aperte o cinto e reze para chegar bem ao final da história, que pode durar mais ou menos do que você imagina.
Sobreviver é fácil, quero ver é você viver a mil cada década de sua vida, cada ano, cada semana, cada dia como se fosse o último. Isso é desafio para toda uma existência. A mil em tudo o que se faz com amor; a mil com as pessoas que realmente importam e se importam com você; a mil nas atitudes que fazem a diferença; a mil em gentileza e solidariedade; a mil para que dez anos valham a pena.

Como alertava o próprio Raul Seixas:

“Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar…”

 (Dedico esta crônica aos meus parceiros e apoiadores do Sarau com Café, evento cultural que criamos e que comemora hoje 10 anos a mil, com o maior prazer.)

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