Depois de acompanhar há dois anos o encerramento das atividades da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (Apromin), Taquara começa 2013 vendo fechar o Lar das Meninas. A decisão foi tornada pública nesta semana pela direção do Educriança, uma entidade paulista que é a atual mantenedora do lar em Taquara. A administração municipal ainda estuda alternativas, seja para manter o lar em funcionamento ou de como será feito para que as meninas que estavam no local sejam abrigadas em outro lar.
A decisão foi confirmada à reportagem do Panorama pelo próprio presidente do Educriança, professor Jorge Fabbro, em entrevista por telefone, na segunda-feira. Na ocasião, comentou que o Lar funciona em Taquara há mais de 30 anos, e que sempre foi mantido com o apoio de empresas, que trocaram de administração nos últimos anos. Com isso, segundo Fabbro, o Lar das Meninas perdeu sua principal fonte de receita, uma vez que as empresas deixaram de fazer doações em dinheiro para a manutenção do abrigo.
O presidente do Educriança diz que, diante deste quadro, verificado ainda no ano passado, o Lar das Meninas buscou a parceria das prefeituras, a fim de verificar de que forma as administrações poderiam contribuir. Foram fechados convênios com as prefeituras de Taquara e a Arroio dos Ratos para manutenção de cinco e duas meninas abrigadas, respectivamente. Contudo, segundo o professor, o valor pago pelas duas administrações fica em cerca de 25% a 30% do custo com o abrigo das crianças. O descompasso entre o valor arrecadado e o gasto na manutenção do Lar tornou insustentável a situação financeira, obrigando a decisão do Educriança de encerrar as atividades do Lar das Meninas.
Para completar, segundo Jorge Fabbro, o repasse da Prefeitura de Taquara sempre ocorreu com atraso. Atualmente, de acordo com o presidente, a administração municipal estava em débito com quatro meses, alguns deles ainda do governo de Délcio Hugentobler, que entregou o governo com os valores pendentes. Quanto aos repasses de Arroio dos Ratos, estavam em dia, segundo o professor.
O presidente do Educriança explicou que o custo de operação do Lar gira em cerca de R$ 28 mil por mês. Ele disse que o que encarece o custeio é a contratação de funcionários exigidos pela legislação que regula o funcionamento dos abrigos, entre os quais equipes 24 horas, além de psicólogos, assistentes sociais, entre outros. Fabrro disse que a decisão foi comunicada às autoridades taquarenses, e, na sexta-feira passada, conversou por telefone com a promotora de Justiça, Natália Cagliari, e com o prefeito Tito Lívio Jaeger Filho. Na ocasião, o chefe do Executivo pediu um orçamento sobre a manutenção do Lar, que foi enviado por e-mail ainda no final de semana passado.
Fabbro sugeriu alternativas para que o Lar continue funcionando, ressaltando, porém, que deverão passar por um maior compromisso das administrações municipais. Entre as ideias aventadas está a formação de um consórcio de prefeituras. Caso nenhuma alternativa seja encaminhada, o Lar das Meninas para de funcionar no dia 8 de março. Segundo o presidente do Educriança, o Lar inclusive conta com os repasses em atraso da Prefeitura para quitar as rescisões com os funcionários.


