
Nesta quinta-feira (9), o diretor do Lar Padilha, Fernandes Vieira dos Santos, participou de uma entrevista ao programa Painel da Rádio Taquara para esclarecer questionamentos levantados recentemente sobre a instituição. A conversa girou em torno de denúncias sobre o acolhimento de crianças, supostos maus-tratos, e a rotina da entidade que acolhe jovens em situação de vulnerabilidade. Fernandes também destacou o trabalho realizado pelo Lar, seus desafios e o impacto dos questionamentos na comunidade e nos colaboradores.
Recentemente, publicações nas redes sociais questionaram o tratamento dispensado às crianças e adolescentes acolhidos pela instituição. Sobre isso, Fernandes reforçou que todos os acolhimentos realizados pelo Lar Padilha seguem determinações judiciais baseadas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ele explicou que o processo envolve o Conselho Tutelar, o Ministério Público e o Judiciário, sendo a entrada na instituição resultado de um rigoroso trâmite legal.
“Não há arbitrariedade no acolhimento das crianças. Cada caso é analisado e decidido judicialmente, com base em relatórios técnicos elaborados por órgãos de proteção”, esclareceu Fernandes. Ele também destacou que a função do Lar não é investigar as situações que motivam o acolhimento, mas sim promover a reintegração familiar das crianças, quando possível, ou buscar alternativas seguras.
Respondendo diretamente às alegações de maus-tratos e abuso psicológico, Fernandes afirmou que a legislação impede a divulgação de informações específicas sobre os casos, mas garantiu que todas as denúncias recebidas são investigadas de acordo com protocolos internos e legais. “Nós não abafamos nada. Qualquer denúncia formal será apurada, e, caso constatada a veracidade, medidas serão tomadas, que podem incluir desde advertências até desligamentos de funcionários”, disse.
O diretor enfatizou que denúncias públicas sem formalização dificultam o trabalho de apuração e reiterou que a instituição está aberta à fiscalização de órgãos competentes, como o Conselho Tutelar e o Ministério Público, que regularmente inspecionam o Lar. Ele também ressaltou que relatos de crianças são acolhidos por psicólogos e assistentes sociais, sem interferência da direção, para garantir a imparcialidade.
Funcionamento e rotina
Sobre a rotina da instituição, Fernandes explicou que o Lar Padilha acolhe cerca de 80 crianças e adolescentes de diversos municípios, com uma equipe de 61 funcionários. A rotina inclui horários definidos para atividades diárias, como refeições, estudos e lazer, além de momentos de acompanhamento técnico. “As regras são necessárias para garantir a convivência em um ambiente coletivo. Nosso foco não é reeducar, mas proteger e criar condições para a reintegração familiar”, afirmou.
Ele também abordou a dificuldade em lidar com jovens que chegam ao Lar após passarem por situações de violência grave e negligência. Fernandes destacou que muitos apresentam traumas psicológicos e outras vulnerabilidades, o que exige um cuidado especializado e constante investimento na qualificação dos profissionais. Ele mencionou que a instituição promove treinamentos regulares, participa de cursos externos e busca parcerias para melhorar os serviços oferecidos.
Apoio da comunidade e impactos das críticas
Durante a entrevista, Fernandes expressou preocupação com o impacto das denúncias no apoio da comunidade. Ele ressaltou que o Lar Padilha depende de doações para complementar os recursos recebidos de contratos com prefeituras. “A ajuda da comunidade é essencial. Sem ela, não seria possível manter a qualidade do nosso trabalho ou realizar projetos como o que levará crianças para a praia neste verão”, explicou.
Ele agradeceu o apoio recebido de grupos sociais, igrejas e doadores individuais, além das mensagens de solidariedade de ex-abrigados que reconheceram a importância do trabalho do Lar. Fernandes também convidou a comunidade a visitar a instituição, garantindo total transparência sobre as atividades.
Projetos e avanços
Apesar dos desafios, o diretor destacou os avanços do Lar nos últimos anos, como a redução do tempo de permanência das crianças na instituição e o aumento de adoções. Ele também mencionou parcerias com o programa Criança Esperança, que já viabilizou projetos de formação em tecnologia, empreendedorismo e alfabetização.
Entre os planos para 2025, Fernandes destacou o “Projeto Verão”, que permitirá que as crianças vivenciem momentos de lazer na praia, e uma iniciativa que oferecerá cursos de tecnologia da informação e inglês para jovens da comunidade, com o objetivo de preparar futuros profissionais para o mercado de trabalho.
Ao encerrar a entrevista, Fernandes reafirmou o compromisso do Lar Padilha com a proteção de crianças e adolescentes. “Nosso foco é atender as crianças da melhor forma possível. O que precisar ser corrigido, será corrigido. Confiamos na nossa equipe e na transparência do nosso trabalho. Pedimos à comunidade que continue acreditando e apoiando o Lar, porque o benefício chega diretamente às crianças e adolescentes que precisam de proteção”, concluiu.


