TAQUARA – O serviço de oncologia do Hospital Bom Jesus está, desde novembro do ano passado, sem receber os recursos para os atendimentos. Com isto, os encaminhamentos para o tratamento de novos pacientes diagnosticados com câncer na cidade estão suspensos.
O Estado deve mais de R$ 600 mil à Clínica Oncoprev, prestadora dos serviços de oncologia, relativos a quimioterapias e cirurgias. Mas, apesar da falta de repasse, os atendimentos se mantêm através dos esforços dos colaboradores da entidade, que realizaram empréstimos bancários para arcar com as dívidas pendentes. Atualmente, 83 pacientes, vindos de diferentes cidades da região, continuam nos atendimentos oncológicos. “Nós entendemos a situação complicada do Estado, mas não temos como cortar um serviço vital para a vida como a oncologia”, argumentou o oncologista Paulo Morasutti, avaliando a suspensão como um “retrocesso social”.
Os novos pacientes diagnosticados deverão ser encaminhados para a central de regulação do Estado, que os enviaram para o tratamento. Na terça-feira passada, uma reunião tratou desta questão. Na ocasião, representantes do Estado acenaram com a possibilidade de quitar as pendências, o que revogaria a suspensão de atendimentos em Taquara. No entanto, não houve formalização para a concretização desta ação. “Mesmo com as dificuldades, continuamos crescendo para nos consolidarmos como hospital regional”, destacou Morasutti.
O credenciamento da oncologia junto ao Ministério da Saúde poderia revogar a suspensão de novos pacientes. A solicitação foi encaminhada para Brasília nesta terça-feira, depois de 329 dias de aprovação pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB) do Estado. Com isto, o governo federal assumiria o convênio com o serviço em Taquara.
Dívida com Taquara chega a quase R$ 2 milhões
TAQUARA – A dívida do Estado com Taquara já chega a quase R$ 2 milhões. Parte deste valor (R$ 1,3 milhão) é referente aos repasses do ano passado para cobrir gastos com a Base do Serviço de Atendimento Movél de Urgência (SAMU), com o programa Primeira Infância Melhor (PIM), Assistência Farmacêutica e Saúde Mental. Outros R$ 600 dos meses de maio e junho estã pendentes. Na quinta-feira passada, a Secretaria Municipal de Saúde informou a liberação de R$ 165 mil, o que representa parte de um total de mais de R$ 300 mil que deveriam ter sido depoisitados em abril. Para sanar o rombo, estão sendo usados recursos próprios da administração municipal, remanejando verba de outros setores.
Os valores de repasses de janeiro, fevereiro e março foram pagos em dia, conforme conta o diretor-geral de Saúde, Vanderlei Petry. No entanto, em abril, houve redução significativa dos recursos. A verba de maio e junho ainda não entrou nos cofres municipais e não há perspectiva de quando isto deverá acontecer. “O governo nos diz que estão revendo repasses, reavaliando contratos, fazendo cortes.”
Sem as verbas estaduais, a cidade tem suprido a demanda com os recursos próprios. Petry salienta que o município está conseguindo manter os serviços essenciais, mas não sabe até que ponto isso poderá acontecer. Os atrasos se agravam com os repasses de medicamentos especiais. Cerca de 40 remédios necessários não estão vindo. Os usuários entram com processo pela Defensoria Pública para conseguir os medicamentos.
Só os atrasos referentes aos atendimentos da Base da SAMU, entre agosto e dezembro de 2014, chegam a cerca de R$ 450 mil. A Prefeitura assumiu estas despesas para que não fossem cortados os aproximadamente 200 atendimentos mensais do serviço de remoção de urgência e emergência. “Não tivemos atrasos nos salários dos funcionários, nem falta de materiais ou de combustíveis. Funcionamos normalmente, e não afetou a qualidade dos nossos serviços”, contou o coordenador do SAMU Taquara, Fábio Strauss.
Por meio da assessoria de imprensa, o Sistema de Saúde Mãe de Deus, gestor do Hospital Bom Jesus de Taquara, informou que há atrasos em repasses do Estado, sem esclarecer quanto é o acúmulo ou as medidas para driblar as dificuldades. O prefeito de Taquara, Tito Lívio Jaeger Filho, informou ao Panorama, porém, que o governo do Estado deve R$ 1,4 milhão ao hospital referente ao final de 2014, que deveria ter sido pago em janeiro de 2015. No tocante ao repasse de maio, cujo pagamento deveria ter ocorrido até 15 de junho, o Estado mandou apenas 30% dos recursos ao Bom Jesus.
Matéria publicada na edição impressa de 03/07/2015.


