Roseli Santos
Esta postagem foi publicada em 29 de junho de 2018 e está arquivada em Roseli Santos.

Do fazer, por Roseli Santos

Do fazer

Em tempos de hiperexposição, onde tudo o que se faz, seja bom ou mau, é maximizado pelas redes sociais, me encanta saber da existência de pequenos gestos anônimos, quase desapercebidos, que podem transformar e impulsionar uma trajetória de vida.

Nem tudo foi dito; nem tudo foi registrado. Talvez saberemos por acaso da diferença que fizemos na vida de alguém. Talvez, nunca. Talvez, tarde demais.

Mas saber faz parte do processo para continuarmos sendo a transformação. Um simples momento, ignorado ou subestimado por nós, pode significar muito ou quase nada; pode impulsionar ou derrotar; pode alegrar ou entristecer; pode ser registrado ou apagado.

Um único instante é o suficiente e nunca saberíamos, se não fosse dito. Como o agradecimento que não reconhecemos, se não for feito; como o abraço que não receberemos, se não for dado.

Um gesto de motivação, uma ação comunitária, um pequeno bater de asas e já ensinamos alguém a voar. E só saberemos disso, talvez, quando aquela borboleta colorida pousar ao nosso lado para contar da viagem, impulsionada por aquele simples instante que nem lembramos mais.

Importa o voo alavancado ingenuamente pela poesia escrita na madrugada insone, pelo sorriso de um estranho, pela premiação inesperada, pela emoção transbordada, pelo aplauso nunca imaginado.

Na sequência de um gesto, palavra ou atitude semeamos a transformação, anonimamente, talvez, porque nem tudo precisa ser dito, registrado, postado. As coisas fluem por si só. Nós somos meros instrumentos para que elas aconteçam, mesmo que nunca viemos a saber.

Roseli Santos
Jornalista, de Taquara
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