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Do som que vem de longe à sala de aula: Rolante apresenta o bombo legüero à gurizada

Atividade integra a programação do 2º Encontro Farroupilha e busca aproximar alunos da música e dos instrumentos ligados à cultura gaúcha
Joel Porto e Estevan Gonçalves (Foto: André Amaral/Rádio Taquara)

Estudantes da rede municipal de Rolante estão tendo contato com um instrumento de origem latino-americana durante a programação do 2º Encontro Farroupilha, realizado no Parque Municipal de Eventos. A oficina “O bombo legüero e os ritmos gaúchos”, ministrada por Joel Porto e Estevan Gonçalves, apresenta aos alunos as características do instrumento e sua utilização em diferentes gêneros musicais.

De timbre grave e presença marcante na base rítmica, o bombo legüero tem origem na Argentina e passou a fazer parte da música gaúcha no Brasil a partir da década de 1950. Segundo Joel Porto, o instrumento chegou ao país trazido pela família Fagundes e, posteriormente, passou a ser utilizado em ritmos como chamamé, xote, vaneira e vaneirão.

“O instrumento é muito eclético. Ele pode ser tocado em qualquer estilo de música, mas está enraizado na música gaúcha desde os anos 1950”, explica Joel.

De estância em estância

O nome do instrumento também está relacionado a uma tradição de uso do tambor para transmitir sons a longas distâncias. Conforme Joel, há relatos de que o toque do bombo era utilizado como forma de comunicação entre estâncias. A prática também teria sido empregada por povos indígenas.

É dessa característica que vem o termo “legüero”, associado à ideia de algo que pode ser ouvido de longe. Na Argentina, o instrumento é conhecido como bombo legüero, enquanto o músico que o toca é chamado de bombero.

Música nas escolas

A oficina ocorre ao longo da semana, nos turnos da manhã e da tarde, com participação dos estudantes da rede municipal. A proposta, segundo Joel, vai além da programação da Semana Farroupilha e busca estimular o contato permanente dos alunos com a música gaúcha.

A iniciativa também se relaciona a um trabalho que já é desenvolvido no município, com oficinas de música em turno inverso. Para Joel, o contato com os instrumentos pode despertar nos estudantes o interesse pela prática musical e, posteriormente, pelo estudo do bombo legüero.

“Então, a intenção é plantar essa sementinha, para que eles peguem gosto pelo instrumento e possam estudar mais”, afirma.

Joel destaca ainda que o contato das crianças com a música gaúcha já ocorre dentro de muitas famílias da região, especialmente pela influência de pais e avós. Para ele, levar esse repertório às escolas durante todo o ano contribui para ampliar o vínculo dos estudantes com a cultura local.

“Não só nessa semana, a gente fala muito de Semana Farroupilha, mas durante o ano inteiro levar para as escolas a música gaúcha, para esse sentimento de pertencimento à nossa cultura”, resume.