
Programado para ocorrer na próxima segunda-feira (28), às 20h, o Seminário de Responsabilidade Social das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat) terá a presença do projeto Cultura Doadora, dialogando sobre o processo de doação de órgãos e tecidos.
A atividade, em formato virtual, terá a palestra de Fernanda Bonow, médica intensivista pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre, e coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO1) da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, que explicará as etapas entre a doação e o transplante de órgãos.
Durante a palestra também haverá depoimentos de pessoas que vivenciam as diferentes fases deste processo, contribuindo com seu relato a advogada e transplantada de pulmão, Anália Goreti; a representante de uma família doadora, Carolina Camilo, e a paciente em lista esperando por dois pulmões, Rochelle Benites.
O Seminário de Responsabilidade Social, que será transmitido pelas páginas do Youtube e Facebook da Faccat, é dirigido especialmente aos estudantes dos cursos de Engenharia, Sistema de Informação, Turismo, Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Administração, Ciências Contábeis, Pedagogia, Letras, Matemática, História, Enfermagem, Psicologia, Fisioterapia, além dos funcionários da Faccat e à comunidade do Vale do Paranhana.
“É importante que os acadêmicos tenham contato com o tema da doação de órgãos. A Faccat realiza todas as suas atividades de extensão de forma integrada com a comunidade e desenvolver a cultura doadora salva vidas”, destaca a coordenadora do Núcleo Psicopedagógico da instituição de ensino, Patrícia Kebach.
A Coordenadora do Curso de Enfermagem da Faccat, Cláudia Capellari, avalia que quanto antes os estudantes entram em contato com temáticas que farão parte da sua vida profissional e pessoal, melhor é o preparo e as escolhas. No processo entre a doação ao transplante de órgãos no Brasil, 70% das equipes que atuam nesse sistema é formada por profissionais de enfermagem.
“A preparação dos profissionais inicia ainda na universidade, quando enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, entre outros, são formados. É um momento de ouro para o desenvolvimento de temas relevantes, como é o da doação de órgãos e tecidos, bem como o envolvimento desses futuros profissionais em ações junto à comunidade, fortalecendo o papel social da universidade”, destaca a doutora em Ciências da Saúde.
Nesse universo, tanto habilidades técnico-científicas, quanto as atitudes e as relações, são igualmente importantes para dar conta das necessidades envolvidas no exercício da profissão e da cidadania. Metade das famílias que poderiam doar órgãos de seus entes queridos não autorizam.
“Há um caminho a percorrer para aumentar esse percentual, que envolve tanto a disseminação de informações e dados, quanto a abordagem para a doação. É preciso que o profissional que realizar o contato para a doação esteja preparado com informações, com dados sobre o processo, que seja acolhedor com a dor do outro”, complementa Cláudia.
De acordo com a Faccat, o Conselho Regional de Enfermagem (Corem-RS) somou-se ao projeto Cultura Doadora para inserir a temática em todos os espaços da categoria.
“No exercício de nossas funções temos obrigação de informar pacientes e familiares, elucidar sobre o processo principalmente sobre os mitos em torno da doação de órgãos. Existe uma rede de atenção à saúde com cobertura superior a 76%. Incluir informações sobre a doação de órgãos na rotina dos trabalhadores de saúde deste setor aumentaria sobremaneira a difusão de informações”, enfatiza a coordenadora do curso de Enfermagem da Faccat.
Queda nas doações e transplantes na pandemia
Conforme a Faccar, após consecutivas altas, o número de transplante de órgãos, tecidos e células feitos pela rede pública caiu. No ano passado, foram 62,9 mil transplantes realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), número 22% menor do que o volume realizado em 2019 (81,4 mil). A lista de espera por órgãos chegou a 50 mil pessoas no Brasil, enquanto houve queda nas taxas de doação e de transplante em decorrência da pandemia.
A taxa nacional de doadores era de 18,1 por milhão de população em 2019, voltou ao patamar obtido em julho de 2017, de 15,8, numa queda de 12,7%.
Só podem ser doadores pessoas com morte encefálica, causa responsável por apenas 1% do total de mortes. E desse percentual, 42% dos familiares não autoriza a doação.
“A intenção deste diálogo é sensibilizar e esclarecer sobre este procedimento de alta complexidade que salva e melhora a qualidade de vidas, mas é o único braço da medicina que necessita da sociedade para acontecer”, destaca a produtora do projeto Cultura Doadora, Glaci Salusse Borges.
O projeto Cultura Doadora foi criado pela Fundação Ecarta para contribuir na formação de uma cultura de solidariedade e de uma atitude proativa para a doação de órgãos e tecidos, bem como na qualificação da infraestrutura de atendimento à saúde no Rio Grande do Sul. As instituições de ensino e demais organizações que desejarem abordar este assunto podem entrar em contato para a realização de atividades educativas.
O papel educativo para estimular a doação de órgãos e tecidos é eficaz. O Hospital Montenegro 100% SUS, que até o final de 2017 registrava 100% de negativa familiar para a doação de órgãos, hoje tem 62% de afirmativa após um trabalho desenvolvido junto à comunidade, com a parceria do projeto Cultura Doadora.
“Queremos avançar com esses bons resultados para que o RS volte a ser referência em doações e transplantes”, conclui o idealizador do projeto e diretor da Fundação Ecarta, Marcos Fuhr.


