
No mês em que a Rádio Taquara completa seus 70 anos de existência, a reportagem descobriu que a empresa possui uma irmã gêmea. E ela reside no mesmo município, porém, na localidade de Rio da Ilha, interior de Taquara. Dora Sirlei Henssler, a dona Dorinha, nasceu no mesmo dia e ano em que a rádio foi fundada. Portanto, também completou seus 70 anos neste último dia 25 de novembro. E uma das coisas mais interessantes desta descoberta foi saber que a vida de dona Dorinha se une, em vários momentos, à história da Rádio Taquara, nesses 70 anos.
Dona Dorinha, como é chamada e conhecida pelos vizinhos da localidade, nasceu no dia 25 de novembro de 1950, às 22h30min. Reside na mesma casa em que veio ao mundo, local onde também criou seus filhos. Da casa que nasceu, pouca coisa ainda resta. A escada que levava para a sala e a parte dos fundos, onde hoje fica uma espécie de galpão. Uma das paredes do atual galpão servia como divisória de um quarto, onde nasceu, há 70 anos.
Dona Dorinha é filha de Erna Fredolina Krumennauer – que é parente distante de um dos fundadores da rádio, Orlando Krumennauer – e de Artur Muller, ambos falecidos. Seu pai, por muitos anos, foi presidente da Sociedade de Canto 4 de Outubro, que passou a ser chamada Sociedade União da Paz, de Rio da Ilha. Ela relembrou, durante a entrevista, dos tempos em que o pai organizava os bailes na comunidade. “Meu pai, quando era o presidente da sociedade, organizava os bailes no local. Nunca esqueço que ele sempre contratava o ‘seu’ Arlindo Gerhardt e sua banda, para animar as festas no local. Seu Arlindo vive até hoje. Ele era o dono da Banda Ideal. Eu conversei com ele, há pouco mais de dois anos. Eu o conheço desde criança”, disse.
Em um dos momentos em que a vida de Dorinha se encontra com a existência da Rádio Taquara, seu pai tem papel de destaque. No dia do seu nascimento – mesmo dia da inauguração da rádio – ela conta que seu pai não queria ir buscar a ‘parteira’ (pessoa habilitada para dar atenção às grávidas), para ajudar sua mãe a dar à luz. Segundo ela, ‘seu’ Artur tinha vergonha da idade que sua mãe estava tendo a filha e esperou até a noite para passar em frente ao armazém, pois ali, a comunidade sempre estava reunida. “Minha mãe tinha 44 anos quando nasci. Naquela época era muito feio uma mulher ‘mais velha’ ficar grávida. Meu pai nos contava que, no dia em que nasci, ele passou o dia inteiro escutando as ‘bandinhas’, durante a inauguração da Rádio Taquara”, lembra. Segundo ela, o pai só saiu de casa para buscar a ‘parteira’ depois que a programação musical da rádio havia encerrado.

Em outro momento que a Rádio Taquara se fundiu à vida de dona Dorinha, ela relatou que sua casa ficava cheia, pois seu pai foi um dos primeiros a adquirir um aparelho de rádio nas redondezas. Os vizinhos vinham ouvir os principais programas da Rádio Taquara em sua residência. O noticiário produzido pela emissora, que vai ao ar entre às 11h e às 13h, sempre foi o mais ouvido. “Sempre escutamos o noticiário do meio-dia. Nesse programa, a gente fica sabendo as notícias de Taquara e da região, as festas, os falecimentos. É muito bom ouvir para ficar sabendo dos acontecimentos”, enfatiza Dorinha.
Uma das filhas de Dorinha, Regina Henssler Kohlrausch, perguntou à mãe se ela se lembrava de qual era o aparelho de rádio que eles ouviam. Ela, rapidamente, informou que o aparelho estava guardado em uma caixa, na casa onde nasceu, que fica ao lado de sua atual residência. Conforme Dorinha, o primeiro rádio que eles escutavam era um modelo chamado Rádio Fada, “um modelo bem antigo”. Em seguida, seu esposo Luis Carlos Henssler, foi à antiga residência, e trouxe o aparelho lembrado pela filha, um rádio da marca Teleunião, adquirido em 1962. Este já era o segundo aparelho adquirido por seu pai, Artur.

Conforme dona Dorinha, o rádio funcionava através de uma bateria, pois, naquela época, não havia energia elétrica no local. O pai montava no cavalo e seguia em direção ao antigo moinho, recarregar a bateria, para que pudessem ouvir o rádio. “Eu lembro que depois de carregada a bateria, dava pra escutar 48 horas (risos). Nós podíamos ouvir por alguns dias, pois não deixávamos o aparelho ligado direto. Era ouvido somente nos horários mais importantes”, destaca.
Dorinha comentou que atualmente, possui um novo modelo de rádio e o Teleunião esta guardado como lembrança. A família lembrou, também, de notícias recentes, que só ficaram sabendo graças à Rádio Taquara. “No dia das eleições, nós ficamos sabendo quem seria o novo prefeito de Taquara pela rádio. No momento em que o Dr. Helinho deu a entrevista para vocês, reconhecendo a derrota no pleito, nós estávamos ouvindo e já ficamos sabendo que a nova prefeita seria a Sirlei”, afirma.
A filha Regina, mais atenta à Internet, disse que estava acompanhando pelo celular, mas só soube quando a Rádio Taquara divulgou, em primeira mão, o resultado. “Eu estava acompanhando pelo aplicativo do TSE quando deu problema e travou (aplicativo). Liguei o aparelho na Rádio Taquara e pude saber os resultados. Pelo celular só consegui saber o resultado perto da meia-noite”, afirma.
Regina, que foi criada com os irmãos na mesma residência onde mora a mãe, também se lembrou do tempo em que ouviam a Rádio Taquara para saber detalhes das festas do final de semana. “Nós ouvíamos a rádio para saber os horários que os ônibus, que levavam para o baile, passariam. Caminhávamos uns 5 km para chegar até a parada. Também buscávamos saber o valor do ingresso, as bandas que estariam animando a festa. Era bem divertido”, declara.
Dona Dorinha disse que gosta muito da vida que leva. Cuidar da horta, dos animais (galinhas, porcos, gado, gatos) e, também, de suas plantas. Além disso, diz que sempre torceu muito para a Rádio Taquara ‘sobreviver’. “Eu, desde criança, sempre escutei a Rádio Taquara. Nós íamos para a roça e levava o ‘radinho’ junto, para ouvir a programação”.
Dona Dorinha teve cinco filhos, sendo um do primeiro casamento e outros dois casais de gêmeos do atual. Além dos filhos, o casal tem sete netos e um bisneto e dizem ter uma vida boa, rodeados pela sua família e sua ‘hortinha’.







