A Polícia Civil realizou, nesta terça-feira (29), a Operação Narciso, que culminou na prisão de três integrantes de um suposto grupo criminoso que aplicava golpes em empresários. As prisões ocorreram em Gramado, na Serra, em Novo Hamburgo e Estância Velha, no Vale do Sinos. Entre os envolvidos, está o empresário Marcelo Reginaldo, 50 anos, que, segundo as investigações, é proprietário da Viação Igrejinha, empresa de transportes que funciona no município do Vale do Paranhana.

A investigação da polícia apura a falsificação de documentos para a venda de imóveis. A estimativa da polícia é que, em dois anos, o grupo tenha lesado as vítimas em até R$ 5 milhões. Além de Marcelo, também foram presos Alex Sandro Arruda Ferreira e Jardel Francisco da Silva, apontados como integrantes do grupo.
O estilo de vida de Reginaldo é que chamou a atenção da Polícia Civil, uma vez que mora em condomínio em Gramado, tem uma casa de praia em Jurerê (SC) e se apresentava como presidente de um sindicato de transportes, além da empresa de transporte de ônibus em Igrejinha. “Percebemos que essa pessoa, por ostentar demais, passou a vender imóveis com documentos falsos. Ele registrava algum documento, vinha o selo original e removia esse selo e colocava em outro documento, que era fraudulento”, descreveu o delegado Tarcisio Lobato Kalbatch, em matéria divulgada pela RBSTV. O Jornal Panorama não conseguiu contato com o policial.
Outra suspeita da polícia é de que o grupo arrecadava valores de forma fraudulenta, até mesmo se apresentando como membros da Organização das Nações Unidas (ONU) para pedir doações em dinheiro para ajudar países da África. Na operação, a polícia apreendeu papéis, cartões de crédito que seriam falsos, dinheiro e uma arma.
CONTRAPONTO
– Panorama não conseguiu localizar os advogados de defesa de Marcelo Reginaldo. À RBSTV, o advogado disse que aguardaria o fechamento do inquérito para definir a estratégia. A advogada de Alex Sandro Arruda Ferreira e Jardel Francisco da Silva afirmou que se manifestaria apenas na Justiça.
– Ao Jornal NH, Marcelo se disse inocente, afirmou que sua empresa de ônibus está em operação, mas, segundo a reportagem, não soube informar quem seriam os clientes. Falou que presta serviços de fretamento para igrejas e acrescentou que a esposa tem outra empresa do ramo, também administrada por ele.
– Ainda segundo o NH, Marcelo disse não ser golpista e, sim, empresário. Assegurou que o sindicato presidido por ele é legítimo, com 300 associados. “Se observar no Ministério do Trabalho, eu assino as convenções. Está tudo em dia”, disse, segundo o Jornal NH.


