
Duas São Francisco, um mesmo Deus
A. C. Bhaktivedanta Swami, ou seja, Srila Praphupãda, nasceu Abhay Charan, em 1896, Calcutá, Índia. Seu pai, Gour Mohan, um bem sucedido comerciante de roupas, fervoroso seguidor de Krsna (Deus, em sanscrito) desde cedo guiou Abhay por tal fé, e para tal nem precisou esforço. O menino se admirava com a dedicação religiosa paterna e se encantava com os ritos devocionais. Moravam os Mohan na rua Harrison. “Coincidentemente”, mais tarde, o beatle George Harrison encontraria Abhay, já como Swami, e se tornaria um importante divulgador da doutrina de Krishna. https://www.youtube.com/watch?v=Pj1urvxkdNw
Mohan não queria que o filho herdasse sua profissão, nem que seguisse por nenhuma outra que não fosse a de se tornar um grande sábio (swami). Sonhava que Abhay seria um famoso e fervoroso propagador de Krishna. E isso também era o sonho do próprio Abhay. Quem não gostava disso era a mãe, que apesar de ser grande devota, queria que Abhay fosse advogado.
Abhay acabou cursando Direito, mas, seguindo uma ideia de Gandhi, recusou o diploma. Casou, constituiu família e se dedicou a espalhar a doutrina de Krishna pela Índia. Sem nunca ter saído de lá antes, aos 69 anos é enviado pelo seu mestre, Srila Bhaktisiddhãnta, aos Estados Unidos. Já com o nome Praphupãda, o destino o colocaria no berço da contracultura, Costa Leste, São Francisco, 1965.
A palavra de Krishna pegaria raízes na contracultura – movimento que florescia contra a guerra do Vietnã, e, consequentemente, contra o tradicional modelo social de vida norte-americano – e ganharia o apoio de figuras famosas como o músico Bob Bylan e o poeta Allen Gisnberg, entre tantos outros artistas da época, conseguindo Praphupãda criar, nos EUA, a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna. https://www.youtube.com/watch?v=mM5RbghZV-8
Quando veio a mim a biografia do Praphupãda, ano passado, quem a leu primeiro, devorou com olhos brilhantes a vida dele e seu incansável empenho em espalhar Krishna pelo mundo, foi minha esposa. Envolvido com a necessidade de outras leituras, acabei pegando o livro só nas férias de janeiro deste ano. Alias, adquiri uma edição de bolso, que carrego agora pra lá e pra cá, sempre a ler e reler.
Então, escapando de um ruidoso evento que nem vale a pena aqui citar, eu e minha família buscamos refúgio em São Francisco, não a de Abhay Praphupãda, mas a nossa, a de Paula, lá de cima da serra E por sua rua principal andávamos quando, numa loja de artigos místicos, um cartaz, palestra sobre cultura védica e após, Ritual Puja. São Chico com um centro Krishna?
O clima estava agradável, o céu esplendidamente azul quando, naquele oito de abril subimos as escadas para um velho e simpático chalé de madeira, o Centro Cultural Bakthi Yoga Brasil. Com muita alegria fomos recebidos pela Ananda, em seu branco traje devocional, e logo o Swami Bhaktivedanta Mahavir Maharaja falou sobre cultura védica e executou a Cerimônia do Fogo, da qual participamos pela primeira vez.
Sim, entoamos Hare Krishna, um belo grupo de diversificada idade, e, enquanto isso ocorria, todas as emoções que eu conhecera através da descrição de outros, pelas leituras, tornavam-se vivas em mim.
Por Luiz Haiml
Professor, de Taquara
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