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Dudinha retorna ao Brasil após tratamento nos Estados Unidos e curada das sequelas da Síndrome de Cornélia de Lange

Maria Eduarda Vianna Correia realizou três cirurgias, incluindo a retirada de uma costela e a colocação de um halo craniano
Fotos: Arquivo pessoal

Decidida a buscar a cura de sua filha mais velha, Maria Eduarda Vianna Correia, a Dudinha, que é portadora da Síndrome de Cornélia de Lange, Denise Silva Vianna embarcou com ela para os Estados Unidos, no dia 18 de dezembro do ano passado, deixando a pequena Aurora, de três anos, aos cuidados do pai, Fábio Júnior dos Santos Correia, de familiares e amigos. Passados três meses e meio, Dudinha retorna ao Brasil e a família do Morro Negro, localidade do interior de Taquara, comemora a recuperação das sequelas da doença.

Acompanhada pela reportagem da Rádio Taquara FM 105.9, a trajetória de luta da família de Dudinha, que atualmente está com 15 anos, iniciou em 2010, quando a adolescente teve a doença diagnosticada por uma equipe do Hospital de Clínicas, de Porto Alegre.

Também denominada como Síndrome de Brachmann de Lange ou Nanismo de Amsterdam, a síndrome está ligada a mutações espontâneas, como atraso no crescimento e no desenvolvimento da criança, e o tratamento inclui o uso de medicamento controlado, além de acompanhamento com fisioterapeuta para tentar estabilizar a coluna.

Em fevereiro de 2017, Dudinha recebeu o diagnóstico de escoliose tridimensional, o que deixava a curvatura da coluna em S, provocando dificuldade motora e modificação na caixa torácica, comprimindo os órgãos e piorando ainda mais a situação da jovem.

Preocupados com o agravamento da doença e com o tempo em que sua filha vinha aguardando pela cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), desde 2019, Denise e Fábio organizaram uma série de ações e campanhas pelas redes sociais, em busca de arrecadar o valor necessário para que o tratamento fosse realizado de forma particular, estipulado em mais de R$ 400 mil.

Enquanto a família taquarense se esforçava para arrecadar o dinheiro para o tratamento da adolescente, o americano Fritz Louderbeck e seu filho adotivo Douglas Louderbeck ficaram comovidos com a história da Dudinha e, após passarem pelo Brasil para conversar pessoalmente com os pais da adolescente, eles providenciaram todos os trâmites para que Dudinha e sua mãe viajassem ao seu país para iniciar o tão sonhado tratamento.

Nos Estados Unidos, Denise e sua filha ficaram na cidade de Chicago, no estado de Ilinois, hospedadas na Ronald McDonald House Charities, fundação de apoio e cuidado com crianças e jovens em tratamento médico, responsável também por abrigar os familiares dos pacientes, e a adolescente foi atendida por especialistas do hospital Shriners Children’s Chicago.

Durante o tratamento, que durou cerca de três meses e meio, menos do que os cinco meses inicialmente previstos, Dudinha realizou três cirurgias, incluindo a colocação do halo craniano – aparelho fixado ao crânio, utilizado para corrigir deformidades rígidas da coluna vertebral; a retirada de uma costela e a correção da coluna, além do acompanhamento com fisioterapeutas e outros profissionais.

Em terras brasileiras desde quarta-feira (03), Denise conta que, apesar de não falar inglês, a maior dificuldade enfrentada neste tempo que passaram nos Estados Unidos foi ter que suportar a saudade do restante família. Mas que esta dor foi amenizada pelo carinho com que foram recebidas pelos profissionais que atenderam a Dudinha e os americanos em geral.

“Foi uma experiência incrível! O povo americano nos recebeu de braços abertos. E Deus cuidou de tudo, nos mínimos detalhes. A Dudinha e eu jamais esqueceremos todos os momentos vividos nos Estados Unidos”, declara Denise.

De volta ao Brasil, a adolescente de Taquara precisará ainda usar um colete para a coluna, por cerca de seis meses, e seguir realizando algumas revisões e exames, a cada três meses.

“Talvez, no futuro, a Dudinha precise voltar ao hospital Shriners Children’s Chicago. Por enquanto, ela vai seguir o tratamento aqui no Brasil, com consultas a cada mês e exames a cada três meses. As consultas serão por Tele Saúde e os exames deverão ser enviados para Chicago, por correspondência”, conta a mãe da Dudinha.

Vídeo: Arquivo pessoal