No Vale do Sinos, em Araricá, estão os 40 hectares de terra onde funciona o projeto de plantio orgânico, criação de cordeiros e produção de vinho e suco de uva chamado Güntherland. O nome da localidade da Rua do Urtigão está grafado nos rótulos das garrafas dos vinhos artesanais feitos por Rubem e Valéria, Alfredo e Sílwvia, casais amigos que se definem amantes da cultura do vinho.
Há mais de 20 anos, cerca de 12 pessoas reúnem-se uma vez por mês, ou além disso, para treinar a memória olfativa. A confraria da degustação, da qual Rubem Kunz e Alfredo Reich, ambos cardiologistas, fazem parte integra amigos que gostam de conhecer os tipos de uva, a variedade de sabores, a história da produção, as diferenças em vinhos feitos para serem bebidos jovens e outros que precisam ser servidos depois de um bom tempo. Os dois amigos, colegas de profissão, compadres de casamento, decidiram investir em nova empreitada no ano passado.
Antes da época da vindima de 2015, Alfredo separou para Rubem 400 kg de uva bordô, que cultiva há dez anos para fabricação de suco de uva, em Güntherland. Rubem comprou quatro pipas de 60 litros e, depois de alguns meses, encheu 250 garrafas de vinho.
A mística que envolve o processo natural da produção do vinho representa, para Rubem, muito mais que técnicas e métodos. Segundo o médico, a paixão começou ainda na adolescência. Passava as férias em companhia de seus avôs que também eram admiradores da bebida. Realizou viagens para França, Espanha, Portugal, Itália, entre outras localidades que considera referência de produção e vinícolas. “A prática gera a experiência, a experiência leva à qualidade. Sou autodidata, nunca fiz curso de vinificação”, conta, acrescentando que estudou nos livros desde a poda da parreira à seleção de leveduras. “A orientação que consulto aos enólogos trata do acompanhamento da evolução do vinho”, comentou.
A produção 2016 irá gerar em torno de 400 garrafas. “No estado todo não conseguimos fazer um vinho de guarda como o dos franceses. Precisa-se ter uma quantidade de tanino (bactéria da casca) e açúcar que determina o tipo de vinho que você vai fazer. A uva que disponibilizamos é ideal pra fazer vinho jovem, por ser uma uva mas ácida”, esclarece o cardiologista.
Mito ou verdade? Devemos tomar uma taça de vinho por dia
Verdade, mas não se pode generalizar. É inadequado dizer isso para todas as pessoas, é preciso avaliar cada caso. Dependentes químicos não podem, restrito também aos diabéticos (tipo 1 e tipo 2), pessoas com doenças no fígado, pessoas que fazem uso de medicamentos psicotrópicos (calmantes). Isto porque o álcool é açúcar, é metabolizado e transformado em açúcar no sangue. Nos países em que se consome mais vinho há menos doenças do coração, principalmente na parte sul desses países mediterrâneos.
França, Espanha, Portugal, Grécia, Itália têm uma característica: o tipo de dieta (dieta mediterrânea) e o consumo de vinho. Na França há menos casos de infarte. Por essa constatação começou-se a pesquisar e foram encontradas duas substâncias no vinho, o resveratrol e a quercitina, que têm efeitos antioxidantes e protegem as artérias do corpo. Há um tempo, foi realizada uma pesquisa nos Estados Unidos com quatro tipos de pessoas. Uma pessoa que não bebia (álcool) nem fumava, uma que bebia (álcool), uma fumava e outra que bebia e fumava. Foram observadas suas incidências cardíacas, e aquele que bebia tinha menos risco de infarto. Era maior no fumante, e nos outros dois ficaram equilibrados.


