Roseli Santos
Esta postagem foi publicada em 19 de maio de 2018 e está arquivada em Roseli Santos.

Em vida, por Roseli Santos

Em vida

Homenagem que se preze tem que ser feita em vida. De que adianta o nome em placa, em rua, em busto ou em estátua morta esculpida no centro da praça, onde transitam desconhecidos que nunca ouviram falar do ilustre falecido?

Nenhuma denominação ou “redenominação” de rua destacando heróis do passado tem tanto valor quanto o carinho da mais singela homenagem prestada ao “vivente” enquanto está vivo (com o perdão da redundância).

Morreu (e isso pode acontecer dos 8 aos 80, num piscar de olhos, sempre é bom lembrar), já era! Ficam as obras, o legado, a memória, enfim, o que se construiu, ou não, ao longo dessa nossa curta existência, mas a emoção e o reconhecimento pelo que foi feito só existem e podem ser compartilhados em vida.

Como do além ninguém sabe ao certo se terá o devido retorno e gratidão celestiais pelas realizações feitas aqui na Terra, melhor garantir a medalha, o troféu ou o mero abraço a quem admiramos nessa encarnação, ainda, porque o tempo voa, amigos!

Quando se vê, já era. Morreu, desapareceu. Quem lembrará de nós quando não restar mais ninguém dos “nossos”, da nossa tribo, da nossa família? A placa descerrada pode levar o nome de quem, um dia, prestou algum serviço útil à comunidade, mas quem foi “fulano”, mesmo? há de se indagar uma maioria desinformada das nossas façanhas.

Como jornalista, já cobri inúmeras solenidades de homenagens póstumas, acompanhadas com orgulho pelos familiares do morto como um consolo, talvez, pelo reconhecimento de suas obras ou atividades comunitárias, ainda que tardio.

Mais recentemente, também acompanhei homenagens a personalidades bem “vivas”, como o escritor Dilan Camargo, no Sarau com Café, e, ainda esta semana, prestada pela Assembleia Legislativa ao diretor-geral da Faccat, Delmar Backes. Foram destacados por sua contribuição, nas respectivas áreas de atuação, na presença de amigos, de familiares e dos que realmente queriam vivenciar este momento, juntos com o homenageado.

Melhor assim, com os devidos registros fotográficos e lives no facebook, testemunhando “in loco” a alegria do homenageado, do que por meio de cartas psicografadas, na posteridade, por médiuns que talvez nunca tenham ouvido falar do ilustre desconhecido.

Roseli Santos
Jornalista, de Taquara
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