Do meu tuíter @Plinio_Zingano– Já que muitos me consideram um mala sem alça, faço de tudo para, ao menos, ser mala de couro de crocodilo.
Há mais de 50 anos, nos meus quase 20 de então, eu estava apaixonadíssimo pela Katheryn Louise Nilsen, norte-americana de Los Angeles, Califórnia, hospedada por um ano na casa de uma amiga. Nessa época, eu já estava na ativa há um bom tempo, tentando espalhar o amor pelaí. Infelizmente, quase sempre, as minhas setas amorosas passavam bem longe do alvo, ruim de pontaria que sempre fui. Raras vezes acertei.
Voltando a Kathy, mencionei-a não para qualquer lamentação das falhas amorosas do final da adolescência, já há muito tempo relegadas ao baú de ossos. Isso foi superado com vantagem. A lembrança foi para aproveitar a ligação do assunto com a decisão do trêfego Wagner Moura, aquele do “pede pra sair”. Ele seguiu seu próprio conselho e saiu, indo morar na terra de quem? Da Kathy! Quero falar de emigração que, como vocês todos estão cansados de saber, é o contrário de imigração. A americana foi imigrante e o Wagner é um emigrante. É onde quero chegar.
Quanta gente, mormente jovens, pensa em sair do Brasil para conseguir uma vida melhor, pois “neste país não dá mais, está uma droga”. Eu próprio acalentei essa ideia naquele tempo, sinal de que, há décadas, a coisa “não dá mais”. Nada contra a vontade de viajar para outros lugares, mesmo dentro dos rincões brasileiros. Enquanto, minha saída para o exterior, não passou de sonho juvenil, há 22 anos, bem menos jovem, tornei-a realidade. Em 1995, mudamos para Olinda, Pernambuco (o plural deve-se à família). Foram sete meses especiais. Se alguém me perguntar, hoje, para onde, hipoteticamente, eu gostaria de emigrar, sem titubear responderia: Olinda! Temos, até, uma coleção das músicas que mais ouvíamos na linda cidade! Mas, ao fim dos sete meses, mesmo sem estar programado, retornamos. E onde viemos parar? Bingo!, Taquara (sem esquecer Parobé – um enorme espaço no meu coração)! Tudo isto, estava a apenas 75 km do ponto de partida, Porto Alegre. Vejam só: viajei 3816 km, para encontrar uma ótima solução de vida ao lado da minha terra natal!
Qual a conclusão destas palavras? É que não existe lugar mágico para resolver problemas cotidianos. Se o Brasil parece complicado para nós, para muitos, ele é uma esperança em suas vidas. Basta ver a quantidade de imigrantes refugiados, buscando em nós a solução. Se for importante visitar outras terras, visitem; se lá houver uma perspectiva de vida realizável, permaneçam. Mas não esqueçam: aqui é tão espetacular quanto em outras paragens!


