
O presidente da Federação das Câmaras de Comércio e Serviços do Rio Grande do Sul, Vitor Augusto Koch, participou de uma entrevista na manhã desta quarta-feira (8), na Rádio Taquara, para discutir o desempenho econômico de 2024 e as expectativas para 2025. Durante a conversa, Koch avaliou os impactos das enchentes no estado, o papel do crédito positivo no fortalecimento do comércio e os desafios que o setor produtivo enfrentará neste ano.
Koch destacou que o ano passado apresentou resultados mistos para o comércio. Embora o início do ano tenha mostrado crescimento, as enchentes que afetaram mais de 400 municípios gaúchos trouxeram prejuízos significativos. “Muitos lojistas fecharam as portas ou precisaram mudar de local, impactando diretamente as vendas e a economia das cidades atingidas”, explicou.
Ele relatou que, após a tragédia, houve um aumento expressivo nas vendas entre junho e julho, impulsionado pela necessidade de reposição de bens perdidos. Esse movimento beneficiou principalmente os setores de materiais de construção, móveis, eletrodomésticos e confecções. Entretanto, a retomada foi seguida por uma desaceleração nas vendas a partir de agosto, resultando em um crescimento modesto de 2,2% no ano, considerando a inflação.
Koch lamentou o impacto emocional e financeiro sofrido pela população, mas reforçou a capacidade de recuperação do setor, especialmente nas regiões mais atingidas.
Perspectivas para 2025
Para este ano, a expectativa é de crescimento mais lento, com projeções em torno de 1,2% no Brasil e até 2,2% no Rio Grande do Sul. Koch alertou, porém, para os desafios impostos pela inflação persistente e pelas altas taxas de juros, que encarecem o crédito e limitam investimentos.
Ele enfatizou a necessidade de planejamento estratégico e medidas eficientes por parte dos empresários para superar as dificuldades. “2025 será um ano de recuperação. Precisamos adotar estratégias claras, baseadas em planejamento e inovação, para garantir crescimento sustentável”, afirmou.
Novo modelo de crédito e oportunidades para o varejo
Koch também abordou a parceria entre a Federação e o Birô de Crédito de Cadastro Positivo, uma iniciativa dos cinco maiores bancos do país — Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Santander, Itaú e Bradesco. Segundo ele, o sistema de análise de crédito positivo permitirá uma avaliação mais abrangente do comportamento financeiro dos consumidores, facilitando o acesso ao crédito e reduzindo juros.
“O novo modelo elimina as restrições baseadas apenas em inadimplências pontuais, possibilitando condições mais justas para consumidores e ampliando as oportunidades para o varejo”, explicou. Ele reforçou que essa mudança é fundamental para acelerar vendas e atrair novos clientes, oferecendo mais segurança aos lojistas.
Diversificação econômica na região
Ao avaliar o cenário no Vale do Paranhana, Koch elogiou a gestão pública e o desenvolvimento econômico de municípios como Igrejinha, Gramado e Canela, que se destacam pela diversificação de suas atividades produtivas. Ele destacou Igrejinha como um exemplo de equilíbrio entre indústria, comércio e turismo, promovendo um crescimento sustentável.
Por outro lado, Koch apontou a necessidade de cidades como Três Coroas, Taquara e Parobé investirem na diversificação de suas economias para reduzir a dependência do setor calçadista. Segundo ele, os novos gestores municipais têm papel fundamental em impulsionar esse crescimento.
“O Vale do Paranhana tem grande potencial para expandir sua economia. Com políticas públicas bem direcionadas e investimentos estratégicos, a região pode se consolidar ainda mais como polo de desenvolvimento no estado”, ressaltou.
Liquidações e estratégias para o início do ano
Sobre o varejo, Koch destacou a importância das tradicionais liquidações de janeiro e fevereiro para movimentar o setor. Ele explicou que, além de atrair clientes com descontos de até 80%, principalmente no setor de confecções e calçados, os lojistas utilizam o período para renovar estoques e preparar-se para a nova estação.
No entanto, ele alertou que a concorrência com outras despesas típicas do período, como matrículas escolares, IPTU e IPVA, exige estratégias de comunicação eficientes para captar a atenção dos consumidores.
“Investir em divulgação é essencial para garantir o sucesso das promoções. Canais como rádios locais, incluindo a Rádio Taquara, são fundamentais para ampliar o alcance e atrair o público-alvo”, afirmou.
Apelo por políticas públicas eficazes
Koch encerrou a entrevista destacando a necessidade de medidas governamentais para controlar gastos e estimular a economia. Ele criticou o alto custo da máquina pública e defendeu reformas que reduzam despesas e aumentem os investimentos em infraestrutura.
“Enquanto os governos continuarem gastando mais do que arrecadam, teremos inflação alta, juros elevados e menor poder de compra. Precisamos de políticas públicas que fortaleçam os municípios e estimulem o crescimento econômico”, concluiu.


