Responsável pelo abrigamento de 73 crianças e adolescentes em Taquara, o Lar Padilha está vivendo, novamente, uma situação financeira difícil. A entidade do interior está tentando driblar as dificuldades com a participação em eventos, mas pondera a necessidade de que quatro prefeituras em atraso com os repasses à instituição coloquem em dia os seus débitos. Ao mesmo tempo, o Lar Padilha está fazendo um agradecimento à comunidade, que acolheu bem promoções como um brique, e se juntou à entidade como voluntária em estacionamentos coordenados pelo Lar.
Na segunda-feira, o diretor do Lar Padilha, Fernandes Vieira dos Santos, esteve na redação do Panorama. Segundo ele, ainda antes de abril começar, a diretoria percebeu que não teria como suportar todos os custos que vinham se apresentado. Somente neste começo de ano, um dos mais expressivos aumentos foi na conta de energia elétrica. Com isso, o Lar arregimentou um grupo de voluntários, formado por aproximadamente 30 pessoas da comunidade, que auxiliou a instituição a organizar o estacionamento de três eventos de grande porte realizados em Taquara no mês passado. O primeiro deles foi a Expocampo, que teve duração de quatro dias. Segundo Fernandes, dos R$ 26 mil arrecadados com o estacionamento, 10% seria destinado ao Lar. Contudo, a diretoria pediu à organização um valor maior, e conseguiu aumentar o repasse para R$ 3 mil.
No Festão Campeiro, a organização do estacionamento também esteve a cargo do Lar Padilha, conseguindo, em três dias de evento, uma arrecadação de R$ 14 mil. Deste montante, R$ 4 mil foi destinado ao Lar. Já no Motoshow, a equipe de voluntários ficou responsável pela cobrança de ingressos na portaria, o resultou num faturamento de R$ 9 mil, para um repasse de R$ 1,8 mil ao Lar. Fernandes aproveitou para salientar a transparência da entidade, ao divulgar os números, bem com agradecer a adesão dos voluntários, sem os quais, segundo ele, não seria possível o Lar Padilha conseguir esta fonte de receita.
Outra iniciativa comunitária que rendeu bons frutos, explicou o diretor, foi o brechó realizado durante o Dia da Diversidade Musical, na última sexta-feira, no Parque do Trabalhador. Fernandes contou que mais de 50% dos itens levados ao local para a venda foram comercializados, o que resultou num faturamento de R$ 2,8 mil diretamente ao caixa do Lar Padilha. Por isso, o diretor destacou o apoio da comunidade à entidade, que se traduziu na compra dos itens do brechó desde as primeiras horas da manhã, e é reforçada pela significativa quantidade de doações recebidas, principalmente de roupas e alimentos.
Apesar destas receitas obtidas, a situação do Lar ainda é difícil, explicou Fernandes, devido à superlotação do estabelecimento. Um agravante é o fato de que uma das casas está em reforma e, com a diminuição dos recursos, os trabalhos estão andando mais lentamente. Fernandes disse que é preciso que as prefeituras coloquem em dia seus débitos, uma vez que as administrações municipais são a principal fonte de receita do Lar. Além disso, o diretor estuda uma atualização nos valores cobrados do poder público para o abrigamento das crianças e adolescentes.
Paralelo à expectativa de normalização dos repasses públicos, Fernandes está trabalhando projetos para a obtenção de recursos. O diretor anunciou a criação de um site, que deverá ser lançado em breve, contando com um mecanismo para que a própria sociedade faça doações via internet. Fernandes ainda destacou que a comunidade pode auxiliar com repasses em dinheiro, uma vez que esta é a principal necessidade do Lar no momento.
Matéria publicada na edição impressa de 08/05/2015.


