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Entre agilidade e atenção: a rotina de motorista do caminhão dos Bombeiros

Inspiração para a carreira militar veio do desejo de salvar vidas

Hoje, 25, celebra-se o Dia dos Motoristas. Jornal Panorama traz reportagem especial com um dos condutores há mais tempo do caminhão tanque dos Bombeiros Militares de Taquara, sargento Paulo Roberto Ferreira Guimarães. Assim como Guimarães, muitos homens e mulheres transportam mercadorias e vidas para o bem da sociedade. A todos estes profissionais, parabéns pela data!

Sargento Guimarães: mais de 15 anos pilotando a corporação para atender as ocorrências. Foto: Cristiano Vargas

A atenção e a agilidade são características fundamentais do sargento Paulo Roberto Ferreira Guimarães, 51 anos, motorista do caminhão tanque dos Bombeiros Militares de Taquara há mais de 15 anos. A destreza no volante entre ruas, avenidas, estradas e rodovias não pode superar a cautela no trânsito, garante ele.

Natural de Taquara, pai da Tainá, 22 anos, e Vitória, 14 anos, sargento Guimarães é ca­sado com Patrícia Souza Guimarães há 25 anos. Ingressou no curso de formação de bombeiros da Brigada Militar em outubro de 1991. O interesse pela profissão surgiu quando ainda fazia supletivo na Escola Es­tadual Rodolfo von Ihering, e conheceu um amigo policial que o influenciou sobre a carreira militar. Guimarães passou a ver o tra­balho dos bombeiros como a possibilidade de ajudar as pessoas. “Se todos pensassem assim, o mundo seria muito melhor”, refle­te.

Durante 12 anos, serviu no comando de Gramado como combatente. Ao chegar a Taquara, os colegas passaram a incentivar a dirigir o caminhão tanque da corporação. Foram os próprios parceiros de farda os pri­meiros instrutores, com o soldado Cardoso e o sargento Dias. A primeira vez na direção do veículo foi de nervosismo e ansiedade. A corporação foi acionada para combater um incêndio em uma residência abandonada na região conhecida como Zona do Mere­trício – atualmente entre o bairro Petrópolis e Santa Rosa. “Veio o medo de não conse­guir engatar a bomba, de acontecer alguma coisa. Mas no fim deu tudo certo”, recorda, afirmando que após este episódio passou a ter maior confiança no volante. O trabalho naquela ação terminou com o controle das chamas.

As ocorrências oscilam sempre. Lembra que havia muitos chamados de fogo em ma­tagal no verão, antigamente, o que tem di­minuído nos últimos anos. Um dos episódios mais marcantes na vida profissional foi o aci­dente entre um caminhão e quatro carros, no quilômetro dois da ERS-115, em Taquara, na tarde do dia 2 de julho de 2013. Morre­ram Diliane Fagundes da Silva Brombatti, de 27 anos, os filhos dela, Eduarda Mikaelli da Silva Soares, recém-nascida de cinco dias, e Enzo Leandro da Silva Brombatti, de um ano e dez meses. Também foi vítima fatal do aci­dente Tiago Foss Jung, de 31 anos, morador de Gramado. Este ainda estava vivo quando os bombeiros chegaram ao local.

Em outra ocorrência, há sete anos, lem­bra-se de ter ido atender com um colega um socorro de acidente de trânsito na ponte da ERS-020, em Taquara, onde um carro se chocou contra a estrutura. O passageiro fi­cou preso às ferragens, mas foi removido com vida e encaminhado ao Hospital de Taquara. Guimarães reforça que o trabalho do bombeiro visa a reduzir as perdas de vida nos casos atendidos.

Pilotar um caminhão com oito metros de cumprimento e carregado com quatro mil litros de água é tarefa que exige treino, concentração e, acima de tudo, precaução. “A prioridade é ser rápido para chegar ao local de atendimento, mas com atenção e prudência”, enfatizou ele, que tinha medo de dirigir o veiculo da corporação no Centro de Taquara, com as ruas estreitas e muito movimentadas, mas isso também foi supe­rado. Mesmo tendo que ser veloz, o sargen­to lembra a obrigatoriedade de respeitar os controladores eletrônicos de velocidade.

Dos 21 bombeiros do quartel, apenas quatro não são habilitados para dirigir o ca­minhão tanque. Umas das dificuldades da corporação é o acesso à ERS-115. Guimarães diz que em finais de tarde e final de semana o fluxo intenso de automóveis dificulta o ingresso do veículo na rodovia.

O motorista, tempos atrás, era responsá­vel por pilotar a guarnição até o local do cha­mado, engatava a bomba de água e cuidava do caminhão. Hoje, Guimarães conta que o condutor também atua na linha de comba­te. O sargento divide o trabalho como chefe de socorro e realiza a parte administrativa da corporação, em uma escala de 24 por 72 horas. Se a logística ficou mais complexa, os veículos tanque tiveram progressos, como a direção hidráulica e embreagens melhores, o que facilitou a direção.

Prática levou ao domínio do volante do caminhão tanque da corporação. Foto: Cristiano Vargas