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Publicado em 09/08/2021 20:06 Off

Do “Meu cinicário” – Cuidado, antes que algum partido político, por aí, sugira proibir sexo acima dos 35 anos. Ou o próprio em qualquer idade. Nunca se sabe!

ESCREVENDO

A linguagem é uma das grandes manifestações de nossa humanidade. O ápice da linguagem é sua conversão em texto escrito, a maior realização da espécie e passaporte para todo o desenvolvimento conseguido por nós, seja no campo científico, filosófico, artístico, social, enfim, em tudo. Somos assim, você goste ou não, porque transformamos nossos pensamentos em fala e em texto escrito (fora outros tipos de comunicação, é claro!). Este é o grande diferencial entre humanos e outras manifestações de vida. Muitas vezes, como agora, enquanto digito, o pensamento passa direto para a sua apresentação escrita, podendo ser recuperado, mais adiante, na forma de leitura em voz alta. Uma coisa é fundamental: a fala é manifestação natural e a escrita é manifestação artificial.

Idiomas, as grandes divisões da fala, têm manifestações que lhes são peculiares e os tornam únicos. Num mesmo idioma, há diferenças na construção das frases. E não estou tocando no aspecto sonoro, o famoso sotaque. Essa alteração pode ser notada quase de indivíduo para indivíduo. Resumindo, em termos de fala, vivemos dentro de um caldeirão. Imagine codificar o pensamento de modo a ter um resultado compreensível para grandes grupos. Porém tudo é fruto natural.

Porém algo está acontecendo com alguns grupos de vanguarda (ideias escalafobéticas, teoricamente ousadas, fazem seus defensores se autodenominam “de vanguarda” ou “progressistas”). Uma, por exemplo, é a reinvenção da linguagem, aliás tratada no genial livro “1984” de George Orwell. A história aborda a “novilíngua”, idioma artificial, tornando mais objetiva a fala, evitando interpretações perigosas para a existência da sociedade. Palavras são eliminadas por se terem tornado “obsoletas”; outras são criadas para atenderem exigências da estabilidade social. Normalmente, o envelhecimento léxico acontece, mas leva algum tempo, às vezes décadas, para sobrevir o desuso. É, exatamente, o que estão tentando fazer, forçando a introdução da linguagem neutra, com a eliminação de termos, supostamente, opressores de pessoas não definidas sexualmente. Ignoro até onde vai isso, mas sugiro: usem as novas palavras sem apelar para o judiciário – já foi chamado, vejam só! Talvez elas caiam no gosto popular e pronto! Sem brigas. Ou o bom, mesmo, é a briga só para ver quem manda?

Para encerrar, reproduzo mensagem recebida em 2005 no velho Orkut: “iaii qm eh tu msmo??? da ond eu t conheço pra tu xega e fala um mont d coisa????? auehea flw”. Muita gente continua escrevendo desta maneira. Mas acho que não vai se tornar oficial!

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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