
Do “Meu cinicário” – Sente-se diminuído por ter estudado em escola pública e se considera prejudicado? Continue estudando e acerte as contas depois. Nada impede!
Especulações Bancárias
Pelo título, muitos de vocês, provavelmente, estarão pensando: “ué, a coluna virou especializada em jornalismo econômico?”. Parem! Talvez, uma falsa impressão esteja sendo criada, nos meus simpáticos leitores, por um dos significados da palavra “especulação”. Admito, associada ao adjetivo “bancárias”, logo nos induz às manobras, nem sempre lícitas do dinheiro, envolvendo os bancos e outras instituições financeiras. Mas não é nada disto. Minhas especulações referem-se às feitas numa cadeira, dentro de um banco, enquanto esperava ser atendido. Aliás, um atendimento com toda a licitude possível! Nesse período de tempo, então, eu raciocinei, pensei, refleti, teorizei, enfim, especulei: é, extremamente, difícil caminhar sobre uma série de situações, envolvendo o conceito de democracia e seu contraponto, a ditadura. É um quesito, sim, no qual as especulações se tornam mais densas. Pelos seus conceitos, é difícil chegar a conclusões, nem digo definitivas, mas, ao menos, aceitáveis, e satisfazer qualquer participante de um processo dito democrático é quase impossível.
Se vocês creem, romanticamente, na definição do dicionário, descrevendo a democracia como o tipo de ”governo em que o povo exerce a soberania”, vai ter decepções verdadeiras ao tentar explicar qualquer uma de suas ditas ocorrências ao redor do mundo. Constatará as discrepâncias entre as ações de quem foi abençoado pela escolha de seus concidadãos, por exemplo, numa eleição, e as ações de quem não teve essa bênção, os comumente conhecidos por derrotados nas urnas. Isto quando houver eleições! Sabem por quê? Para explicar, sirvo-me do grande escritor, dramaturgo, pintor Millor Fernandes, autor da seguinte preciosidade de paradoxal ironia: “A diferença entre uma democracia e um país totalitário é que numa democracia — faça a sua pesquisa! — ninguém vive satisfeito”. Quanto mais democrático o país, mais insatisfações são lançadas ao conhecimento do distinto público local e mundial. Ao contrário, numa ditadura não são permitidas queixas contra o sistema vigente, levando-nos à errônea conclusão de haver, ali, um sistema perfeito, aprovado pela totalidade de população. Procurem notícias de queixas contra o governo da Coreia do Norte, oficialmente República Popular Democrática da Coreia. Só se forem informações contrabandeadas, com risco de vida.
Ainda pedindo socorro ao Millor, cito mais uma definição: “Democracia é quando eu mando em você; ditadura é quando você manda em mim”. Por mais compreensiva a sociedade, não escaparemos deste nó. Cada um de nós tem certeza de conhecer e praticar as premissas basilares da vida social e, por elas, lutar obstinadamente. Porém, muitas vezes esses princípios são esquecidos. Por isto, meus amiguinhos, lembrem: até no Céu (que é o Céu), houve situação e oposição.
Epa! Fui chamado pela minha gerente. Vou lá!
Por Plínio Dias Zíngano
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