Quem são esses que estão por toda a parte? Manhã, tarde e noite. Eu os tenho visto e acompanhado. No início eram poucos, um ou outro, se aventurando em investidas solitárias. De repente, já são muitos e de todas as idades.
Esses loucos andam em bandos, agora, percorrendo os lugares mais imprevistos por todas as cidades. Quando menos se espera, lá vêm eles! Roupas coloridas, esbaforidos, alguns conhecidos de longa data, outros que eu nunca vi e nem imaginava que iriam se juntar a eles.
Viciados, cheios de uma energia que eu não sei de onde vem, ou melhor, não sabia. Porque isso contagia, é irresistível e, desde o ano passado, cedi e já me transformei num deles. Que coisa maravilhosa, que vício embriagante, vai ser difícil me libertar. Logo eu, quem diria, que me limitava a observá-los e a também chamá-los de loucos.
E essa tribo só aumenta a cada dia. Temos nos encontrado em diferentes lugares, cada um na sua, mas todos com a mesma alegria de compartilhar aquele momento. Em outras situações, é uma festa, um motivando o outro. Gente estranha, essa, que não quer nada além disso, que precisa de muito pouco para sair por aí, além de um bom par de pernas.
Dia desses, me afastei e fiquei olhando de fora um grupo que não anda, mas voa, no meio da rua, enfrentando qualquer clima, em qualquer horário, até aos domingos pela manhã, e bem cedinho! Que transformação é essa que invade corpos sarados ou não, jovens ou velhos? Até crianças já estão sendo influenciadas por essa nova droga. Aonde isso vai parar?
Não sei a resposta, embora tenha a certeza de que quem começa não quer parar. “Esses loucos que correm”, diz o título de um vídeo na internet, revela bem a essência deste esporte, dessa gente doida que sai correndo em bando ou sozinha, percorrendo maratonas desafiadoras ou pequenos trechos, querendo muito ganhar ou simplesmente ir, participar, estar junto.
Para onde vão? Para todos os lugares e nenhum, para longe e para perto, para dentro de si mesmos, talvez. Uma jornada em grupo e solitária, cada um por si e todos por um, se for preciso. Correm e superam a si mesmos, uma competição interior, onde todos ganham. Até onde? Até ali, depois da subida, mais um pouco, além da curva. Cinco, dez, 20 quilômetros. Vamos, quase lá. Em frente. Amanhã tem mais.
Esta postagem foi publicada em 19 de abril de 2013 e está arquivada em Paralelas.



