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Estudante de 15 anos cria sensor autônomo para alertar sobre deslizamentos

Projeto desenvolvido por aluno da Escola Rui Barbosa é um dos 26 trabalhos apresentados na V Feira de Iniciação Científica de Três Coroas
(Fotos: André Amaral/Rádio TAquara)

Um sensor capaz de emitir um alerta em caso de movimentação do solo, sem depender de internet, sinal telefônico ou rede elétrica. Essa é a proposta do projeto “Alerta Vermelho: antes que o morro desça”, desenvolvido por Augusto Ismael Berti, de 15 anos, estudante da Escola Rui Barbosa, e apresentado nesta quinta-feira (10) durante a V Feira de Iniciação Científica de Três Coroas (FEICITC).

O sistema foi pensado para ser instalado em áreas de morro sujeitas a deslizamentos. Um painel solar alimenta a bateria do equipamento, enquanto um mecanismo formado por fios, uma argola e um pêndulo identifica a movimentação. Quando o pêndulo entra em contato com a estrutura condutora, o circuito aciona uma sirene para alertar os moradores.

A ideia, segundo Augusto, é criar um sistema que possa funcionar de maneira independente e ofereça alguns minutos de resposta para a evacuação. O alerta permitiria que os moradores deixassem a área com mais tranquilidade, levando documentos, roupas e auxiliando pessoas que tenham alguma dificuldade de locomoção.

A inspiração veio de uma reportagem assistida pelo estudante com a família sobre o deslizamento ocorrido em Ipatinga, em Minas Gerais, em janeiro de 2025, que deixou dez mortos. Durante as buscas, Augusto observou a utilização de um apito para alertar pessoas sobre a necessidade de deixar determinada área.

Seus pais, que já atuaram como bombeiros voluntários, também explicaram ao estudante como esse tipo de sinal sonoro pode ser utilizado em situações de emergência. A partir daí, ele decidiu transformar a ideia em um mecanismo automático.

“Então a minha ideia foi tentar automatizar isso. Tornar isso uma forma autônoma e automática, para que não dependa somente da Defesa Civil para fazer esse trabalho”, explica Augusto.

Pesquisa na escola

O professor de Matemática Mauro Sander, orientador do projeto, destaca o interesse do estudante em desenvolver uma solução própria. Para ele, trabalhos desse tipo ajudam a aproximar os alunos da pesquisa e estimulam a busca por novas possibilidades.

“Acredito que seja esse o caminho: tentar plantar a sementinha em cada pessoa, em cada aluno que queira seguir estudando, projetando, fazendo novas invenções e buscando novas soluções”, afirma.

Augusto ao lado do professor

O projeto de Augusto é um dos 26 trabalhos de iniciação científica apresentados na V FEICITC. Nesta edição, nove escolas de Ensino Fundamental participam da modalidade avaliativa, envolvendo 73 alunos e 26 orientadores. A programação também conta com um trabalho da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em exposição e duas escolas com mostras da Educação Infantil.

As atividades ocorrem em dois turnos no Ginásio Municipal Armando Brusius, das 9h às 11h30 e das 13h30 às 16h. A premiação está prevista para as 15h30, quando serão entregues certificados e passaportes da MOSTRATEC aos projetos vencedores.

Além da premiação, os trabalhos classificados poderão representar Três Coroas em outros eventos científicos. Os projetos vencedores participarão da MOSTRATEC Júnior, em outubro, e da MoEPEx, ainda neste mês, no IFSUL de Rolante.

Para a secretária municipal de Educação, Tiane Fernanda de Aguiar, a feira amplia o contato dos estudantes com a pesquisa e permite que os trabalhos desenvolvidos nas escolas sejam apresentados para outros alunos da rede.

Já o vice-prefeito Lauri Ott destaca a possibilidade de os projetos ultrapassarem o ambiente escolar. Segundo ele, alguns dos trabalhos apresentados podem avançar para outros eventos e alcançar novos públicos, com apoio do município.