Exclusivo: as conclusões do primeiro relatório da Silvio Scopel sobre o Hospital de Taquara

Documento foi entregue à Justiça Federal avaliando primeiro período de intervenção.
Publicado em 20/02/2018 08:00 | Atualizado em 20/02/2018 00:02 Off
Por Vinicius Linden

Terminou, no último dia 15, o prazo concedido pela Justiça Federal para que a Associação Beneficente Silvio Scopel entregasse o seu primeiro relatório relativo ao período de intervenção no Hospital Bom Jesus, de Taquara. O documento foi entregue pela entidade, que está à frente da casa de saúde desde 20 de dezembro, após liminar que afastou o Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV). A reportagem do Jornal Panorama teve acesso ao relatório. A Associação diz que, para o próximo mês, “tem-se ideias positivas, pois iniciaram os trabalhos com valores previstos e liberados em conta, possibilitando o andamento da gestão do hospital”.

No relatório de intervenção, a Silvio Scopel, por meio de seus representantes, explica como se deu a sua entrada no hospital. Afirma que a ação de intervenção compôs uma diretora, que assumiu os trabalhos. A diretoria nominada no relatório já é a atual que está à frente dos trabalhos desde janeiro, sem nominar os primeiros gestores que a própria Scopel manteve à frente do hospital. São citados a diretora administrativa Alexandra Camargo, a responsável técnica de enfermagem Pauline Lopes de Souza,  o diretor técnico do hospital, Renato Menzel Neto, e Piraju Nicola Neto, presidente por procuração da Associação Silvio Scopel.

A Associação detalha as suas responsabilidades em relação ao hospital. No relatório, a Silvio Scopel afirma “que houve relutância por parte da administração afastada em entregar suas funções e fornecer informações necessárias”. “De antemão ressaltamos que muito ainda se descobre no dia a dia. Muitos fatos importantes, especialmente da gestão administrativa, que não foram fornecidos a esta interventora”, acrescenta, informando que o relatório contemplaria apenas o que se “tem ciência e clareza”. No tocante à questão financeira, a Associação afirma que não teve acesso às informações de saldos em contas bancárias.

O relatório da Silvio Scopel pontuou as questões operacionais visando o funcionamento do hospital. Foram classificados como gravíssimo: nível mínimo de oxigênio; serviços precários na lavanderia hospitalar; falta de alimentação/nutrição; falta de medicamentos e materiais. Já de nível urgente, os problemas levantados foram: muitos equipamentos em manutenção, sem funcionamento; falta de informações sobre os contratos de prestação de serviços (jurídico, médicos, laboratórios); serviços de raio-X paralisados a nível hospitalar e ambulatorial; falta de faturamento em tempo hábil; prioridade de cirurgias para atingir as metas do contrato. Os problemas apontados como importantes são: ausência de atitude da diretoria; débito com os médicos; pacientes sendo encaminhados para outros municípios; pacientes sendo encaminhados para a rede básica para a realização de diagnósticos; falta das CND’s (certidões negativas de débitos); falta de alvarás; e falta de pagamento de funcionários.

A Associação diz que realizou reuniões semanais para tratar diretivamente das questões administrativas e de gestão, bem como organizar as receitas, despesas, ordenar os pagamentos prioritários e solucionar os problemas gravíssimos, urgentes e importantes. Entre as ações, a Silvio Scopel elencou a contratação de diretora administrativa para executar a gestão efetiva da entidade hospitalar. Também pontuou a contratação de assessoria jurídica; assinatura de contrato com a Prefeitura de Taquara; permanência do contrato mantido pelo Estado junto com o ISEV e redirecionado à Silvio Scopel; busca de uma conversa com empresa terceirizada de lavanderia para o atendimento às roupas hospitalares; manutenção nos equipamentos do centro cirúrgico; equalização das relações com demais fornecedores, como lavanderia, abastecimento de oxigênio, entre outros; busca da retomada da captação de recursos. Neste último ponto, a Associação afirma que um bloqueio judicial, cuja verba foi liberada na semana passada, impossibilitou “as atividades necessárias para o andamento do hospital”.

Quanto às receitas, a previsão de entrada, em janeiro, era de R$ 1,895 milhão, mas o faturamento efetivado, segundo a entidade, foi de R$ 1,144 milhão. Os gastos, conforme o relatório da Scopel, chegaram a R$ 1,145 milhão. O relatório mostra o repasse de R$ 300 mil da Prefeitura de Taquara e os demais repasses do governo do Estado e parte da geração de caixa com pacotes e particulares. Nos principais gastos, o pagamento de serviços profissionais para a assistência (R$ 480 mil), insumos de farmácia e materiais médicos hospitalares (R$ 296 mil), entre outros. No que se refere aos valores dos médicos, a própria Silvio Scopel admite que deveria ter pago R$ 453 mil, mas quitou R$ 40 mil, problema que atribui à “falta de recursos financeiros”.

Nas considerações finais, a Associação afirma que, neste primeiro mês de intervenção, buscou responder às prioridades que batiam à porta, focando em manter a entidade em funcionamento. “Paralelo, por compreender a importância e a suma necessidade de ter uma equipe unida e focada em suas áreas de trabalho, buscou-se junto aos colaboradores manter a unidade, tendo buscar bom clima de trabalho. Foram realizadas reuniões que alcançaram todos os colaboradores”, afirma a entidade, acrescentando que, até o momento, registrou oito demissões e 11 admissões nos setores de assistência e administrativo. A entidade informou, ainda, que o pagamento referente à competência de janeiro dos funcionários iniciou no dia 31 do mês passado, sendo concluído até o quinto dia útil. Afirma que, até o fechamento do relatório, não foram quitados os impostos, o que seria feito tão logo fossem liberados valores bloqueados judicialmente. “Percebe-se que independente da entrada de novos recursos, sejam públicos ou privados, não era estabelecido na entidade uma organização visando a melhora da estrutura organizacional que possibilitasse ao médio e longo prazo a cura para os problemas enfrentados”, conclui a Silvio Scopel, afirmando que, “com todos esses esforços, aguarda-se o retorno positivo da imagem da entidade, aumento da credibilidade com a população e, acima de tudo, a satisfação dos usuários”.

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