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Exclusivo: Polícia Civil de Taquara prende acusado de causar apagão de energia em seis municípios da região

Além de ser acusado de causar um apagão na energia elétrica, o homem ainda ameaçou diversas pessoas, jogou tinta em carros e portões e ainda tentou incendiar um sítio com um ‘coquetel molotov’.
O indivíduo foi acusado pelos crimes de atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, explosão, incêndio, dano qualificado e ameaça.

Os agentes do setor de Cartório, comissário Gilson Moraes e Priscila Silveira, juntamente com policiais do setor de Investigação, da Delegacia de Polícia Civil de Taquara – coordenados pela delegada Rosane de Oliveira, tiraram de circulação um indivíduo de extrema periculosidade para a sociedade, segundo a polícia. Além de ser acusado de causar um apagão na energia elétrica de seis cidades da região, o criminoso ainda ameaçou diversas pessoas, entre ex-colegas de trabalho e familiares, danificou automóveis e portões de residências e ainda teria tentado incendiar um sítio com uma espécie de bomba incendiária, conhecida como ‘coquetel molotov’.

Apagão  

De acordo com a Polícia Civil, no dia 7 de abril de 2020, às 19h49min, houve um apagão – falta de energia elétrica – ocasionado por um desligamento na sala de comando da subestação da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) em Taquara. À época, o desligamento causou a falta de energia em seis cidades: Taquara, Parobé, Igrejinha, Rolante e Riozinho, no Vale do Paranhana e, ainda, Nova Hartz, no Vale dos Sinos. Esse apagão causou inúmeros transtornos, pois deixou, além de residências, hospitais, lares de idosos, entre outras entidades sem energia elétrica, conforme a polícia.

Um boletim de ocorrência foi registrado por um funcionário da subestação da CEEE/Taquara relatando que “houve um desligamento criminoso causado por um ex-funcionário [da CEEE], que teria invadido as instalações da companhia, acessando a sala de comando e interrompendo o abastecimento de energia elétrica, afetando as cidades já referidas”. Ainda segundo o boletim, após fugir, o suspeito teria deixado objetos para trás e foi flagrado por câmeras de segurança do local. Segundo a polícia, o acusado era funcionário da CEEE e teria sido demitido.

Arremesso de tinta e ameaças

Ainda no mês de abril deste ano, a cunhada do indivíduo registrou uma ocorrência em que relatava que ela e seu esposo, irmão do acusado, estavam recebendo ameaças de morte através de mensagens de celular. Além das ameaças, o homem teria incendiado a caixa de luz da residência do casal. Já no mês de setembro do ano corrente, outra ocorrência foi registrada contra o suspeito. A vítima, esposa de um ex-colega de trabalho do acusado, informou que durante a madrugada, um homem vestido com o uniforme da CEEE, se dirigiu à frente de sua residência e arremessou tinta em seu veículo, atingindo também a grade, o piso da garagem e o piso de seu local de trabalho.

Também no mês de setembro de 2020, outro ex-colega do acusado registrou um boletim de ocorrência, declarando que havia sido ameaçado pelo homem, que foi à sua casa e arremessou uma lata de tinta contra o portão e o piso do local. Já em novembro, o acusado acabou praticando crime com o mesmo ‘modus operandi’ dos crimes anteriores. Dessa vez, o homem arremessou, novamente, uma lata de tinta contra a residência de outro ex-colega de trabalho atingindo a traseira de seu veículo e seu portão residencial.

Coquetel molotov

Um de seus ex-colegas de trabalho, que no mês de setembro de 2020 teve seu veículo e a frente de sua residência atingidos por tinta, ainda passaria por mais um susto causado pelo indivíduo. No último dia 12 de dezembro, a esposa da vítima registrou um novo boletim contra o criminoso. Segundo a ocorrência, a mulher estaria passando em frente ao sítio da família, na localidade de Moquém, interior de Taquara, quando de longe, percebeu que havia chamas no chão, próximo à casa. Ao se aproximar para verificar do que se tratava, “se deparou com uma garrafa de gasolina e uma estopa no bocal, uma espécie de bomba incendiária conhecido popularmente como ‘coquetel molotov’”.

A mulher, imediatamente, apagou o fogo, sendo que em seguida, um caminhão do Corpo de Bombeiros de Taquara chegou ao local, pois a corporação teria sido acionada por vizinhos. Durante verificação, os bombeiros detectaram outra bomba, que estava no telhado da casa, a qual estava apagada. Devido às ameaças e danos sofridos anteriormente, as vítimas suspeitam do indivíduo, que seguia os ameaçando através de mensagens.

Pedido de prisão preventiva

Em face das acusações e do apontamento das vítimas, e após as investigações que conduzem a um mesmo acusado, a delegada Rosane de Oliveira representou pela decretação da prisão preventiva do indivíduo, de 49 anos, à 1ª Vara Criminal de Taquara.

“Além de todas essas acusações contra ele, penso que um dos fatos mais importantes a se destacar é que, no episódio do apagão, ele colocou em risco a vida de várias pessoas que precisam da energia elétrica, como hospitais e tratamento intensivo, por exemplo”, enfatiza Rosane.

A delegada destaca ainda, que com essas atitudes o homem estaria provocando o mal a diversas comunidades da região, pois não se pode mensurar a quantidade de pessoas que depende da energia elétrica para sobreviver. “Em nenhum momento ele mediu as consequências desses atos”, disse Rosane.

Prisão preventiva decretada e cumprida

Após o recebimento do pedido de prisão preventiva, o juiz titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Taquara, Rafael Silveira Peixoto, avaliou a representação, feita pela delegada Rosane contra o homem, investigado pela suposta prática dos crimes de atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, explosão, incêndio, dano qualificado e ameaça.

“Diante do contexto apurado, que evidencia a reiteração de condutas ilícitas pelo investigado (…) DEFIRO o pedido, para decretar a prisão preventiva do acusado, devendo ser expedido o competente mandado de prisão”, decidiu o magistrado.

O mandado de prisão foi expedido no dia 18 de dezembro, sendo cumprida a prisão, pelos agentes da Polícia Civil de Taquara, nesta segunda-feira, dia 21. O homem foi encontrado em sua residência, que fica na Estrada Geral, localidade de Entrepelado, interior de Taquara. Ele foi conduzido à delegacia onde aguarda o presídio ao qual será encaminhado.