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Exclusivo: Sirlei explica como será o atendimento às demandas do interior e cidade em Taquara

Prefeita eleita concedeu entrevista exclusiva à Rádio Taquara adiantando diversos pontos do seu governo.

A Rádio Taquara dá sequência à publicação de série de reportagens com entrevista da prefeita eleita de Taquara, Sirlei Silveira (PSB). Nos questionamentos desta terça-feira, a futura mandatária explica como será o atendimento às demandas do interior e da zona urbana do município. Situações como a zeladoria do município são abordadas na entrevista, entre outras.

Na primeira parte, publicada no domingo (27), Sirlei respondeu sobre como será o enfrentamento à pandemia da Covid-19 em seu governo. Na segunda-feira (28), a futura prefeita abordou as questões de relacionamento político e formação do governo. Nesta terça-feira (29), serão publicados dois temas, um pela manhã e outro à tarde, envolvendo a saúde e o atendimento às demandas de cidade e interior. Na quarta-feira (30), a educação será enfocada na entrevista. Por fim, a quinta-feira, dia 31, terá o enfoque aos temas de desenvolvimento econômico, segurança e cultura e eventos.

Confira entrevista sobre o atendimento às demandas:

Rádio Taquara – Quais medidas poderão ser tomadas para resolver a questão dos moradores de rua/pedintes que ocupam, principalmente, as vias centrais da cidade, causando transtorno para quem está transitando ou frequentando algum estabelecimento comercial?
Sirlei Silveira –
Precisamos dar atenção às pessoas que vivem em situação de rua em nosso município. Para tanto, temos que saber quem são elas e, a partir disso, estabelecer políticas públicas específicas. Iremos criar o primeiro Censo de Pessoas em Situação de Rua de Taquara. Através de trabalho realizado com a Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social e outras parcerias, teremos um levantamento desta população: quem são, de onde vieram, quais são seus nomes, suas origens. O objetivo é oferecer ajuda para reinserção social, familiar, profissional e encaminhamento para tratar problemas com vícios daqueles que os possuem, além do acolhimento pelo Albergue Municipal e outros serviços municipais.

Rádio Taquara – Como pretende conduzir questões como o cuidado com a zeladoria do município: limpeza pública, iluminação, entre outros aspectos neste sentido?
Sirlei Silveira – Temos que analisar o que está sendo pago para manter este serviço, se devemos rever contratos, talvez estabelecer parceria com Presídio Estadual de Taquara. Temos amizade com a Mara Pimentel, diretora da casa prisional, e vamos buscar parceria para fortalecer este vínculo de trabalho com apenados do semiaberto. Mas tudo será analisado com muita cautela, para ter certeza de que o dinheiro que sai dos cofres públicos paga exatamente o serviço que se oferece, e não mais do que isto, sempre com transparência.

Rádio Taquara – Qual sua posição em relação aos quebra-molas instalados em Taquara no final do atual governo?
Sirlei Silveira – Alguns, julguei desnecessários, pois outros pontos, inclusive indicados por mim enquanto vereadora, não receberam. Me parece que faltou uma análise mais criteriosa. Mas há outros que vi que foram eficazes, atendendo a segurança da população. Me parece que foi feito às pressas e deixado de colocar onde a necessidade seria mais pontual.

Rádio Taquara – Como seu governo conduzirá um tema que certamente gerará muitas notícias ainda em Taquara, que é a proposta de construção de um prédio de 91 andares no terreno da antiga fábrica da Pirisa?
Sirlei Silveira – A partir de janeiro, chamaremos a direção da Porto Incorporadora Ltda. para uma reunião na Prefeitura, na qual iremos solicitar todas as informações técnicas sobre esta construção. O projeto é arrojado, mas precisamos ter a plena garantia de que ele seguirá, desde as análises e estudos de solo – pois aquela região em que se deseja construir é alagadiça, temos muitos arroios que passam por ali – todas normas de impacto ambiental e de engenharia para algo desta magnitude. Se a obra sair do papel, iremos acompanhá-la da sua fundação até o último tijolo, nos certificando a todo instante de que esteja seguindo rigorosamente todos os licenciamentos. Não somos contra o desenvolvimento e instalação de grandes empreendimentos no município, mas avaliamos que tudo deve ser feito com o maior rigor, a fim de garantir, em primeiro lugar, a segurança de toda a população.

Rádio Taquara – Nos últimos anos, houve um foco em asfaltamento de vias. Qual o seu pensamento em relação a essa prioridade e como será este tema no seu governo?
Sirlei Silveira – Não vejo o asfaltamento como prioridade. Prioridade, para mim, é calçar as vias de chão batido, para retirar a população da convivência com pó no tempo seco e do barro quando dá chuvaradas. Também precisamos dar uma atenção especial aos locais onde as pessoas não têm esgoto sanitário e convivem com o mau cheiro. Precisamos melhorar a qualidade de vida destas pessoas antes de voltarmos a falar em criar mais asfalto. Porém, também entendo ser necessário captarmos recursos para o recapeamento das vias centrais, especialmente a Tristão Monteiro, pois o estado do asfalto é lamentável, e recapeamento da ciclovia na Avenida Sebastião Amoretti.

Rádio Taquara – Nos últimos anos, houve a concentração no Parque do Trabalhador como um dos pontos de lazer em Taquara. No entanto, há outros espaços, como Rua Coberta, praças centrais e espaços nos bairros. Como seu governo manterá o Parque do Trabalhador? E há propostas para fomentar os outros espaços?
Sirlei Silveira – Precisamos aproveitar cada vez a potencialidade do Parcão como área de lazer, trazendo atividades culturais para aquele espaço. Já estamos estudando a mudança da Biblioteca Pública Municipal Professor Rodolfo Dietschi, adaptando o prédio onde funcionou a diretoria de esportes para receber os leitores do município. Ali, poderemos realizar muitas atividades ao ar livre, aproveitando o ambiente agradável do parque para convidar a comunidade a mergulhar nos livros.
Temos também que otimizar outros espaços de lazer, como a Praça da Bandeira. Ali, instalaremos um espaço adequado para que os produtores rurais possam assar seus produtos em fornos à lenha e oferecer à comunidade. O local hoje é utilizado por usuários de drogas e álcool, que precisam de acolhimento e ajuda do poder público, e sofre com a ação dos vândalos. Vamos ocupar o espaço e estimular a presença da população. Queremos usar a Rua Coberta para mais atividades, oferecendo o espaço para entidades ocuparem com ações voltadas para a comunidade. O Empresa, por exemplo, o mais populoso de Taquara, não tem nenhuma área de lazer. No meu projeto de campanha está o compromisso de construir uma praça em frente ao Ciep, para que as famílias de lá tenham um lugar para tomar chimarrão juntas, deixar as crianças brincar livremente e para que os jovens possam se encontrar para atividades físicas e esportivas.
Vamos criar novas praças e buscar conservar aquelas que já existem, atraindo o cidadão de bem e afastando os marginais.

Rádio Taquara – Taquara tem sua estruturação no atendimento ao interior com Secretarias Distritais. No entanto, seu programa de governo mencionou a criação da Secretaria Municipal do Interior. Explique melhor como será o funcionamento desta pasta e sua relação com as distritais?
Sirlei Silveira – A Secretaria de Interior, Serviços Rurais e Turismo foi criada pelas necessidades das pessoas do interior, para alcançar o produtor rural que hoje não tem como vir até o centro para resolver seus problemas. Teremos uma unidade móvel desta pasta, que levará técnico agrônomo e veterinário para o campo, para atendimento especialmente à agricultura familiar. Por uma questão de economia e eficiência, diminuiremos as secretarias distritais, que atenderão regiões de localidades, e não uma por localidade. Nas unidades de trabalho haverá um serviços gerais para atender os moradores. Nesta pasta ficará o Turismo. Taquara tem 32 localidades no interior. Há alguns anos, o professor Álvaro Machado, coordenador do curso de Turismo da Faccat, apresentou o projeto “Turismo do Bem-Estar”. A intenção é transformar Taquara numa cidade destaque deste tipo de lazer na região e levar o desenvolvimento para o meio rural através do turismo.
Infelizmente, este projeto nunca saiu do papel. Mas eu sei do potencial que nós temos para fomentar esta iniciativa e da importância disto para reinventar o interior e levar renda aos moradores. Nós só precisamos executar esta iniciativa numa parceria com a Faccat, Sindicatos, Emater, Senar, Senac, escolas, empresas, setores públicos e associações. Mas, para desenvolvimento do turismo, será necessária a manutenção das estradas, para que se encontrem em condições de receber os visitantes. Instalaremos placas de identificação, indicando a zona rural e o nome da localidade do interior de Taquara. Iremos capacitar e qualificar os produtores rurais para que eles saibam como explorar suas propriedades para o turismo e também atender com eficiência o turista.

Rádio Taquara – No tocante à proteção aos animais, Taquara criou recentemente o Castra Móvel, mas há críticas de que o serviço não funciona adequadamente e com volume expressivo. Como pretende conduzir este tema e o funcionamento do próprio Castra Móvel?
Sirlei Silveira – O Castramóvel foi inaugurado em 2016. Porém, durante muito tempo, ficou acumulando pó na Secretaria de Obras. Somente nos últimos meses reativaram o serviço, que neste momento está pausado novamente. Queremos melhorar o atendimento realizado por este serviço. Atualmente, ele atende a animais em situação de rua ou de famílias de baixa renda. Queremos oferecer às entidades que atendem cães e gatos não-domiciliados. Estas entidades, ONGs e voluntários da causa animal fazem o trabalho do poder público e acabam se onerando em razão disto. Precisamos corrigir esta situação. Os projetos que temos para a área animal são para quatro anos. Queremos criar o Centro de Recuperação e Bem-Estar Animal de Taquara (Cebat), que atuará com profissional veterinário ligado à Secretaria do Interior nas castrações e consultas veterinárias. Também realizará pequenos procedimentos cirúrgicos em animais não-domiciliados ou de famílias sem condições financeiras. Vamos chamar as ONGs, entidades e tutores engajados na causa animal a participar do Conselho e Fundo Municipal de Proteção e Bem-Estar Animal, que ajudará a orientar políticas públicas voltadas a cães e gatos, principalmente nos cuidados aos que vivem em situação de rua. Com o setor de Comunicação da Prefeitura, iremos realizar campanhas sobre a adoção responsável e os conceitos de tutor legal, aquele que tem a responsabilidade e também a guarda de seu pet. O assunto proteção e bem-estar animal também envolverá as escolas. Através da participação dos alunos, em uma atividade multidisciplinar, elegeremos um mascote, cujo nome e a forma física serão escolhidos em um concurso envolvendo as redes municipal, estadual e privada. O mascote será usado nos eventos e também campanhas da administração municipal, dando visibilidade ao assunto e ajudando, de forma lúdica, na sensibilização das crianças sobre o tema.