O depoimento da professora taquarense, Simone Goldschmitt, que falou ao vivo aos ouvintes da Rádio Taquara, na manhã desta terça-feira (4), em entrevista ao programa Painel 1490, colocou o protocolo de atendimento dos pacientes internados por infecção do novo coronavírus, no Hospital Bom Jesus (HBJ), de Taquara, sob questionamento. Isso porque, segundo Simone, a casa hospitalar tem exigido acompanhante para esses pacientes. Não bastando a exigência, conforme descreveu Simone, os acompanhantes ainda ficam no mesmo quarto que os pacientes infectados, numa ala exclusivamente destinada ao tratamento de casos de Covid-19. Simone está com a mãe, de 89 anos, baixada no HBJ.
A taquarense disse que não soube a quem recorrer e por isso procurou a reportagem da Rádio Taquara e Jornal Panorama, pois considera a situação contrária às orientações sanitárias nacionais. Simone destacou que a exigência feita pelo hospital taquarense expõe pessoas saudáveis ao risco de contaminação pelo novo coronavírus. “Não se sabe se devido ao baixo número de profissionais da saúde, se devido a algum protocolo de segurança específico da saúde taquarense ou da administração do Hospital, mas o fato é que em Taquara para internar o seu familiar diagnosticado positivo para Covid, obrigatoriamente mais pessoas da família serão expostas”, também opinou, em texto enviado ao Jornal Panorama, a esposa de Simone, Ana Maria Baldo, que se revezou no acompanhamento junto ao hospital.
Pelo menos mais um caso, relacionado à exigência de acompanhantes para pacientes com o novo coronavírus no HBJ, foi denunciado ao Jornal Panorama no decorrer da manhã desta terça-feira, através do WhatsApp do veículo.
A reportagem também consultou o funcionamento outros hospitais da região sobre acompanhamento nos casos de Covid-19. Em Igrejinha, o Hospital Bom Pastor publicou nota em seu site informando que não é permitido acompanhante para pacientes em isolamento por suspeita de Covid-19. Até mesmo devido à restrição de acompanhante, o hospital criou um serviço de informações aos familiares, em que funcionários da casa de saúde repassam dados sobre a internação por meio de contato telefônico. Em Parobé, também conforme nota divulgada em seu site, na unidade de internação Covid-19 e na UTI, os pacientes não terão acompanhante.
A reportagem do Panorama solicitou posicionamento a respeito para a direção da Associação Vila Nova, mas até a publicação deste texto não recebeu resposta. Assim que for remetido, será divulgado.
Atendimentos nos postos destinados ao público suspeito de infecção pelo novo coronavírus também geram dúvidas
A reportagem do Jornal Panorama também recebeu, no último final de semana, relatos sobre o atendimento prestado na Unidade de Apoio à Covid-19, localizada na avenida Sebastião Amoretti, em Taquara. Segundo a paciente, que preferiu não ser identificada, ela, que perdeu os sentidos do olfato e paladar e sentiu sintomas relacionados à infecção pelo novo coronavírus, foi muito bem acolhida. Porém, em vez de ser atendida na unidade descrita, foi encaminhada ao Posto 24h, que atende a casos de saúde em geral. Ou seja, pacientes não considerados suspeitos foram, segundo o relato, expostos à infecção.
No Posto 24h, a taquarense consultou, recebeu prescrição médica e medicamentos para o tratamento da Covid-19 e também agendou o teste para esta semana. A paciente destacou que não integra o grupo de risco, pois tem 30 anos e não tem outras doenças.
Ainda conforme o relato da taquarense, duas familiares dela, estas que integram o grupo de risco, tanto pela idade, quanto por tratarem doenças como o diabetes e hipertensão, também foram encaminhadas da Unidade de Apoio à Covid-19 para o Posto 24h, mas receberam apenas medicamentos usados para combater a gripe. Nenhuma delas foi testada, e, em um dos casos, foi solicitado que a paciente aguardasse o resultado do teste de outro familiar para, então, observar a necessidade da testagem.
Outro paciente, atendido no Hospital Bom Jesus, um senhor de 68 anos, com febre por cinco dias, sem olfato e paladar, também não foi encaminhado à testagem e liberado sem orientação de isolamento. Ocorre que, pelos sintomas apresentados pelo paciente, ele foi considerado suspeito já na descrição da ficha de atendimento que é o primeiro passo realizado nos hospitais.
Procurado pela reportagem do Jornal Panorama e Rádio Taquara, para comentar os casos, o secretário de Saúde, Vanderlei Petry, disse que, na situação relacionada ao grupo de risco, “o melhor lugar para ficar é em casa, porque no hospital é onde está o vírus. Apenas com sintomas mais latentes é que se deve procurar atendimento médico, até porque não existe medicamento contra a Covid-19”. Petry explicou que os medicamentos são apenas para abrandar os sintomas gripais, e compartilhou alguns informativos que orientam a procura de atendimento e a realização de testes.
Segundo Petry, os testes devem ser realizados “sempre depois do sétimo dia” de sintomas gripais. No entanto, conforme a nota informativa nº 15, do Centro de Operações de Emergências (COE) do Rio Grande do Sul (RS), compartilhada à reportagem pelo próprio secretário, a orientação é que a coleta do RT-PCR (nos casos de síndrome gripal – caracterizado por pelo menos dois (2) dos seguintes sinais e sintomas: febre (mesmo que referida), calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos ou gustativos, diarreia) deve ser realizada até o 7º dia de início dos sintomas, preferencialmente do 3º ao 5º dia do início dos sintomas para uma série de pessoas, como as acima de 50 anos, entre outros públicos (veja a nota técnica na íntegra). Ainda conforme a nota do COE, a coleta do Teste Rápido (TR) Anticorpo (nos casos de síndrome gripal) deve ser feita partir do 10º dia de início dos sintomas, preferencialmente após o 14º dia, sem mencionar os públicos.
Petry compartilhou com a reportagem ainda uma imagem, com os logotipos da Secretaria de Saúde e do Hospital de Taquara, mencionando o critério para coleta do exame da Covid-19. Nos testes PCR, os sintomas citados são febre, calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, perda do paladar e indica a realização dos exames com início dos sintomas há mais de três dias. “Não atendendo estes critérios, não será coletado o exame”, diz a imagem. Para o teste rápido, a orientação é de início dos sintomas há 10 dias ou primeiro contato com familiar positivado que coabita a mesma residência há 10 dias. “A coleta será realizada respeitando o período do início dos sintomas ou de primeiro contato com familiar positivado que coabita a mesma residência”, diz a imagem.
Outra imagem compartilhada pelo secretário orienta a comunidade sobre o local para procurar ajuda. No caso de coriza, a indicação é de “fique em casa”. Se os sintomas forem coriza e febre, continua o “fique em casa”, mas acrescenta a referência “em alerta”. Caso os sintomas forem coriza, febre, tosse, diarreia e dor abdominal, a Secretaria de Saúde orienta a buscar algum posto de saúde. E, por fim, no caso de coriza, febre, tosse, falta de ar, diarreia e dor abdominal, a orientação é de buscar o Centro de Apoio à Covid.
Sobre a questão dos atendimentos descritos, com abordagens e prescrições diferentes, especialmente para pacientes do grupo de risco em detrimento dos que não são, Petry disse que o médico é quem avalia as particularidades dos casos. E quanto à orientação dos pacientes, inicialmente atendidos na Unidade de Apoio à Covid-19, e encaminhados ao Posto 24h, o secretário disse que precisaria saber o porquê do protocolo realizado.
Reportagem: Jéssica Ramos e Vinicius Linden


