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Publicado em 15/11/2021 23:05 Off

Do “Meu cinicário” – Você, que quase mata na procura de determinada antiguidade, já pensou que existe alguém a negociando? Antiguidade não é arte. É consumo.

FAKE NEWS

O título deste comentário, expressão da língua inglesa dispensa tradução. Já faz parte do nosso cotidiano, significando notícia falsa. Fiz um esforço de memória para ver se lembrava quando a ouvi pela primeira vez. Este tipo de informação é muito incerto de ser fixado no tempo, pois não temos um registro tão acurado dos atos e acontecimentos da nossa vida. Mas, neste caso específico, parece ter funcionado. Quando penso no assunto, me vem à mente a imagem de Donald Trump, reclamando de ser vítima de fake news. Penso ter acertado porque fui confirmar no Santo Google e a primeira informação menciona aquele personagem lembrado por mim: Trump. Ele reclamava de estar sendo boicotado pelos adversários políticos à custa de notícias falsas.

Porém esqueçamos o compadecimento. Campanhas políticas são verdadeiras guerras e, como definiu alguém – encontrei vários “autores” –  “numa guerra, a primeira vítima é a verdade”. Embora sem um autor definido, a definição é definitiva (sou bom em trocadilhos). Sempre teremos fake news zunindo pelos ares, tentando abater opositores. A intenção é cooptar seguidores visando ao apoio a determinado objetivo.

Por que estou falando nisto? É porque tenho pensado muito em Tiradentes. Não me perguntem por qual motivo liguei Tiradentes às fake news. Talvez a ideia me tenha ocorrido no dia 21 de abril, sem nenhuma outra explicação. Comecei a pensar no herói e na lista de virtudes colecionadas por ele, tornando-o o único condenado à morte numa punição por ter participado do movimento conhecido como Inconfidência Mineira. Teoricamente, o movimento da Inconfidência era uma conjuração republicana. Por isso, a proclamação da Independência do Brasil não teve nenhuma influência para transformação de Joaquim José da Silva Xavier em herói. Pelo contrário: o Império continuava. A heroicização só aconteceu 97 anos depois da execução, com o advento da República em 1889. Foi criada uma imagem idealizada do conjurado, tanto literária quanto iconográfica. Até então, inexistiam retratos dele, já que ele não tinha qualquer destaque social ou histórico justificando uma pintura. A imagem criada é a que estamos acostumados a ver, em qualquer menção a Joaquim José.

Perceberam aonde quero ir? À fake news. Mesmo em relatos da História de uma nação, supostamente noticiados como isentos, de fatos deveras acontecidos, não conseguimos escapar de visões parciais. Aí, também, a verdade se torna uma vítima.

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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