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Esta postagem foi publicada em 19 de março de 2021 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Fala publicitária, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Amor é uma reação química que ocorre dentro do nosso corpo, facilitada por um catalisador, o parceiro. Mas existem tantos catalisadores!

FALA PUBLICITÁRIA

Os leitores, talvez já tenham notado minha insistência a respeito das coisas ditas no dia a dia. Eu nem escreveria, “insistência”; melhor seria, pensarão alguns, “implicância”. Com esses, eles próprios, também implicantes, devo concordar. Chega uma em hora na qual as falas dos outros atingem o ponto de saturação e perdem o significado – as nossas, claro, nunca; ora! onde fica o respeito?. Ou o gentil leitor, ouvindo o discurso (conversa, papo, etc.) de alguém, nunca pensou com seus botões: “agora ele vai dizer isto!”? e, logo a seguir, ouve aquilo previsto dentro de nossa ranzinzice: “eu não falei?”.

Pois é, numa situação dessas, eu me encontro agora. Explico! Por uma questão de reorganização da casa, entre outras atitudes, resolvi eliminar uma grande quantidade de papel, do que sou um acumulador quase incontrolável. Não, não eliminei minhas lembranças. Afinal, os professores de História ainda terão material de pesquisa no futuro, quando se lembrarem de mim (se alguém, além dos meus, fizer isto)! Apenas consumi com as referências físicas de muito material produzido por mim. Porém, antes, fiz o arquivamento digital. Ocupa muito menos lugar, sabiam? E numa das peças publicitárias por mim produzida, há uns 30 anos, encontrei uma frase estranha. “Estranha”, hoje, quando olho pela lente um pouco embaçada do tempo, mesmo sendo usada, ainda, normalmente, na propaganda.

É o anúncio de uma construtora, vendendo apartamentos. Tudo dentro do padrão desse tipo de publicidade. Entretanto, me incomodou (apesar de escrito por mim) uma chamada, atendendo ao briefing do cliente: CONDIÇÕES DE PRÉ-LANÇAMENTO! Que bobagem foi essa de “pré-lançamento”? Depois, concluí, é a mesma droga de “pré-estréia”. Está bem, é uma promoção para chamar a atenção do público para um determinado produto. Mas, parem aí: pré? Não existe isso de “pré”! Se houver um pré nessas condições, vamos deixar claro: já está havendo a venda efetiva e o texto é, apenas enrolação e, dependendo, tornando o consumidor uma cobaia para a real venda a seguir. Que é onde eu queria chegar. Ou, então, os apartamentos ainda não estavam acabados. Nesse caso, a chamada deveria ser “em construção”. Mas, nunca, “pré-lançamento”.

Pareço-lhes um chato? Impossível evitar. A precisão do texto é perseguição pessoal, apesar de um objetivo bem difícil de ser alcançado. Porém, se deixarmos as coisas assim, continuaremos ouvindo “especialmente para você”, “feito com amor” e outras tantas sandices.

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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