Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Aos valorosos defensores da natureza que dizem que o homem invadiu o espaço dos animais, pergunto: e qual é o espaço do ser humano?
FALANDO DE LIVROS
No meu último texto, confessei-me membro da religião dos adoradores de livros, daqueles que não podem viver sem eles. Já fui fã de cinema, porém perdi minha paciência de ir a um local público para ver um filme (é mais ou menos como a Feira do Livro – muita gente). Ah!, bom!, felizmente existe a televisão, pode-se assistir aos filmes no conforto do lar. Não suporto televisão. Está bem, existem os DVDs, com todo o tipo de filme. Fica-se sozinho ali, vendo o filminho, sem ninguém para nos incomodar. Também não me atrai mais. Não aguento os enredos. Pior, só as telenovelas bobas em que o principal recurso dramatúrgico é a lágrima das atrizes (faça a estatística: há, pelo menos, três choros por capítulo). Uma das compras mais sem sentido já realizadas por mim – e foram tantas! – é o reprodutor de DVD. Pouco usamos aqui em casa.
Então, resta a música! Triste engano. Como um super-herói dos filmes e das histórias em quadrinhos, tenho um superpoder secreto que acaba com o bom funcionamento dos aparelhos reprodutores de qualquer música. No carro, por exemplo, é muito difícil a minha convivência com o rádio. Se bem me lembro, jamais tive automóvel com um rádio funcionando em boas condições.
Diante de todos esses percalços, restou-me o livro. Mas não foi uma alternativa imposta por circunstâncias tipo “não encontrei aquilo, serve isto mesmo”. Os livros mereceram minha atenção mercê de suas qualidades. Lendo livros, consegue-se exercitar a imaginação e alçar grandes voos; tem-se acesso a todo o conhecimento acumulado pela humanidade ao longo dos séculos, independente de uma interface mecânica ou eletrônica; com livros, pode-se ficar na famosa ilha deserta sem o fantasma da falta de eletricidade ou de bateria. Continua-se lendo.
Dito assim, meus leitores poderão pensar que estou fazendo a apologia da panaceia universal. Não. A verdade é outra. O livro tem grandes inimigos dos quais o mais fundamental é o analfabetismo obviamente. Porém, há outro que não pode ser desconsiderado: a falta de gosto. Vamos lá, gente, admitamos, há quem não gosta de ler. Não é pecado.
Por que falo disto? Porque, se lutamos tanto por liberdade de pensamento, parece-me ditatorial impingir um hábito a quem não o quer. Não sou agente de propaganda das companhias editoras. Elas, ao longo das décadas, sacralizaram aquilo que lhes convém e a gente apenas repete, em ladainha, que todos devem ler sem parar. Isto vai contra a natureza de muitos. Alguns se tornarão leitores. Outros, jamais. Esta é uma verdade com a qual devemos conviver.
A minha religião é o livro. Mas existem tantas outras! Por isto, não vou sair de pastinha, batendo de porta em porta, aliciando acólitos, prometendolhes o céu alojado entre as capas.


