O debate sobre a limitação de abates em vários frigoríficos de Taquara trouxe à tona outra situação que vem comprometendo a atuação da Inspetoria Veterinária do município. É a falta de fiscais, uma situação que não é verificada somente em Taquara, mas também em todo o Rio Grande do Sul. O alerta sobre o assunto foi feito nesta semana ao Panorama pela fiscal agropecuária e médica veterinária Cristine Campello Moglia Dutra, que atua na repartição local.
Na entrevista, Cristine explicou as medidas tomadas pela Divisão de Produtos de Origem Animal (Dipoa) da Secretaria de Agricultura do Estado com relação aos frigoríficos. Segundo ela, são ações punitivas, em fiscalizações realizadas recentemente, que verificaram necessidades de adequações nos abatedouros. Taquara possui, atualmente, cinco frigoríficos que são fiscalizados pelo Dipoa, pois têm autorização para vender carne para todo o Estado. No momento, um deles encontrase suspenso, enquanto outros possuem limitação de abates. Um dos frigoríficos atingidos pela medida já cumpriu todas as determinações, tendo a sua produção liberada.
A falta de fiscais, que compromete o trabalho da Inspetoria, poderá se evidenciar no momento em que todos os frigoríficos tiveram tiverem seu fluxo de produção e suas atividades liberadas novamente. Segundo Cristine, a legislação exige um fiscal veterinário para cada abatedouro em funcionamento, o qual deve acompanhar fiscalizando toda a atividade do abate, desde a inspeção dos animais antes da morte até a expedição da carne para o varejo, evitando qulquer irregularidade que poderá comprometer a qualidade dos alimentos para a população. Contudo, hoje, apenas Cristine e outro colega trabalham na Inspetoria de Taquara, para atender, além do município sede, Igrejinha e Três Coroas. Se todos os frigoríficos começarem a atuar normalmente, já faltam fiscais para cumprir a lei de fiscalização dos abatedouros.
Esta situação compromete, ainda, outras ações que a Inspetoria Veterinária precisa capitanear, como a fiscalização da vacina contra febre aftosa, trânsito irregular de animais e produtos de origem animal e também o comércio de produtos irregulares que poderão afetar a saúde pública. Por isso, segundo ela, a própria Associação dos Fiscais Agropecuários do Estado (Afagro-RS) vem pressionando o governo gaúcho para a realização de concurso público. Mesmo assim, o Palácio Piratini acenou, até agora, com certame para contratação de 100 profissionais, quando faltam mais de 200 em todo o Rio Grande do Sul.
No tocante aos crimes de furto de gado, que aumentaram consideravelmente em Taquara nos últimos meses, Cristine ressalta que a saída tem sido realizar ações integradas com a Polícia Civil, para investigação. Mesmo assim, a fiscal ponderou as dificuldades de se flagrar este crime, uma vez que muitos dos casos acontecem em períodos noturnos e madrugada, e existe dificuldade da própria polícia em estar em todos os locais em que podem ocorrer os furtos.


