
As faltas em consultas médicas agendadas na rede pública são um dos desafios enfrentados pelo sistema de saúde no Vale do Paranhana. Além de desperdiçarem vagas, essas ausências dificultam o acesso de outros pacientes e geram custos desnecessários para os municípios.
Em Parobé, mais do que os 11.139 atendimentos realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) no mês de abril, o que mais preocupa é o número de pacientes que não compareceram às consultas agendadas: foram 1.213 faltas, o equivalente a 10,9% do total. Em média, mais de 40 pessoas por dia útil deixaram de comparecer, muitas vezes sem aviso prévio, o que impede o chamamento de outro paciente da fila de espera.
As faltas sem aviso prévio trazem impactos: prejuízo financeiro, tempo ocioso de profissionais e o prolongamento da espera por atendimento na rede pública.
De acordo com a pasta, quando um paciente não comparece à consulta e não realiza o cancelamento com antecedência, a vaga é desperdiçada, dificultando o acesso de outros usuários aos serviços de saúde. Além disso, há impacto no aproveitamento dos profissionais e no uso dos recursos públicos.
Com o objetivo de sensibilizar a população, a pasta lançou a campanha “Se você falta, faz falta para alguém”, que incentiva os usuários a desmarcarem as consultas caso não possam comparecer.
Taquara
A secretária de Saúde de Taquara, Loreni Spirlandelli, chama atenção para o impacto das ausências nos atendimentos agendados. Apenas no mês de abril, foram registrados 5.466 agendamentos, dos quais 924 não se concretizaram, alcançando um índice de 16,9% de absenteísmo.
“Estamos estudando formas de reduzir o absenteísmo, buscando recursos tecnológicos que facilitem a marcação e remarcação de consultas. Bem como uma campanha de conscientização da população para reduzir esses números”, explica Loreni.
Fácil de marcar, remarcar… e faltar
O secretário de Saúde de Rolante, Vanderlei Petry, relata que o município vem monitorando mensalmente o índice de faltas em consultas médicas agendadas nas UBSs. Segundo ele, os relatórios do sistema de gestão já vinham apontando um crescimento preocupante no número de ausências, especialmente nos atendimentos de clínica geral, que registram uma média de quase 20% de faltas.
“Isso é um problema porque tira a vaga de outras pessoas. E, muitas vezes, os pacientes não avisam que não vão comparecer”, afirma.
Como resposta, a secretaria tem apostado em ações de conscientização. Informativos estão sendo fixados nas UBSs com dados sobre o número de consultas oferecidas, as faltas registradas e os impactos disso na fila de espera.
Petry também destaca que a facilidade no agendamento via WhatsApp pode ter contribuído para o agravamento do problema.
“Como é fácil marcar, também se tornou fácil faltar e remarcar. Mas isso gera um efeito em cadeia: aumenta a ociosidade, cria demanda reprimida e empurra a agenda cada vez mais para frente”, explica.
Faltômetro
O secretário de Saúde de Igrejinha, Vinicio Wallauer, afirma que as UBSs do município realizam mensalmente o levantamento do número de faltas em consultas agendadas. Atualmente, o índice de ausências gira em torno de 8% do total de atendimentos.
Segundo ele, o absenteísmo nas consultas do SUS prejudica toda a população.
“Quando um paciente falta sem avisar, uma vaga deixa de ser utilizada por outra pessoa que precisa de atendimento, o que aumenta as filas e dificulta o acesso à saúde. Além disso, o tempo dos profissionais é desperdiçado, o que reduz a eficiência do sistema”, explica.
Wallauer também alerta que faltas em retornos ou acompanhamentos comprometem diagnósticos e tratamentos, podendo agravar quadros de saúde. Cada ausência, segundo ele, representa também o desperdício de recursos públicos já investidos.
Como resposta, o município desenvolve campanhas de conscientização há alguns anos. Uma das estratégias é o chamado “Faltômetro”, cartazes afixados nas UBSs com o número de consultas desperdiçadas no mês anterior.
“Essa iniciativa já contribuiu para reduzir consideravelmente o número de faltas nas unidades de saúde do município”, afirma o secretário.
Três Coroas: “Enquanto alguns faltam, outros esperam por atendimento”, diz secretário
O secretário de Saúde de Três Coroas, Luciano von Saltiel, comentou o índice de absenteísmo nas unidades de saúde do município.
“Nosso índice de absenteísmo está em torno de 9,3%. Isso é um problema porque reduz a capacidade de atendimento. Enquanto temos pacientes que faltam, há outros aguardando para serem atendidos”, afirmou.
Segundo ele, a Secretaria está iniciando um levantamento sistemático para monitorar o problema de forma mais transparente.
“Estamos iniciando esse levantamento e a ideia é divulgar mensalmente os dados, tanto por unidade de saúde quanto de forma geral, para sensibilizar a comunidade”.
Segundo ele, a divulgação periódica dos números faz parte de uma estratégia para conscientizar a população sobre a importância de comparecer às consultas agendadas ou, em caso de impossibilidade, informar com antecedência, permitindo o realocamento da vaga para outro paciente.


