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Esta postagem foi publicada em 25 de novembro de 2011 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Feira do Livro

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – O sujeito não admitia que falassem de seus amigos na frente dele. Piedosamente, virava as costas.

FEIRA DO LIVRO

Na semana passada, no feriado de 15 de novembro, encerrou-se a 57ª Feira do Livro de Porto Alegre, iniciada em 28 de outubro. E assim tem sido desde 1955, mais ou menos nos mesmos dias. Bem no começo foi levemente diferente, mas, depois, se fixou nessas datas.
Como o nome diz, o acontecimento enaltece os livros, a melhor aplicação da mais bem sucedida invenção do ser humano: a escrita. Nesses quase sessenta anos, cada edição suplantou a anterior em termos de sucesso e, imagino, vendas. Tornou-se uma verdadeira festa ir à Feira, com páginas de reportagens nos jornais, coluna social, notícias nas televisões, estações de rádio com estúdios na Praça da Alfândega, restaurantes e lanchonetes. Como membro dessa fantástica religião, a dos adoradores de livros, eu também compareci! Pela última vez.
Ei, esperem! Não estou querendo prever qualquer acidente de percurso na minha vida, pelo menos nos próximos anos, embora nunca se saiba. Vocês entendem, a idade vai chegando, etcétera e tal. Digo que é a última visita à Feira porque não tenho planos de voltar.
Alguns escritores teceram comentários pouco airosos sobre a exposição. Para citar um, falo do Juremir Machado da Silva no Correio do Povo. Ele foi incisivo nos seus comentários, criticando, por exemplo, os preços praticados no local. Juremir tem uma relação bem mais ou menos com a Praça, pois já foi candidato a patrono do evento, sem ter conseguido ser eleito. Talvez suas palavras não sejam isentas. De qualquer maneira, concordo com ele. O livro poderia ser mais barato. Ainda assim, duvido se seria isso um grande incentivo à leitura (que, aliás, merece um texto a parte). Do que ele escreveu, posso deduzir: estamos sendo explorados! Como, aliás, sempre acontece.
Mas seu argumento não influiu na minha decisão de não mais visitar a Feira do Livro, declarada Patrimônio Imaterial de Porto Alegre. Não importa se o livro é caro ou que os leitores – “poucos”, segundo o Juremir – não comprem as obras. O que me desmotiva é a aglomeração. Realmente, a Feira do Livro se tornou um lugar desagradável, justamente, devido ao seu sucesso. Mal se consegue caminhar pelas suas alamedas e, muito menos, se consegue a paz necessária para tocar, cheirar, admirar e escolher o que se vai ler. Talvez eu já esteja sofrendo dos males da idade, tendo me tornado mais chato do que sempre fui. Talvez, simplesmente, seja, agora, um rançoso. Porém, como disse acima, pertenço à religião dos adoradores de livros e, num templo religioso, não se faz algazarra. A gente pega os livros, se isola, e reza!

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