Fale sobre sua trajetória profissional:
Bom, comecei a trabalhar aos 16 anos, no ramo gráfico, em Novo Hamburgo. Após concluir o ensino médio, ingressei na Unisinos como acadêmico de Filosofia. Lecionei por 10 anos em escolas e supletivos das cidades de Novo Hamburgo, Igrejinha e Taquara, e fui voluntário do MOVA (Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos) nas cidades de Igrejinha e Três Coroas. Em 2003, fui apresentado ao Lar Padilha por um amigo conselheiro tutelar para fazer uma experiência de final de semana e acabou que fiquei atuando como educador social até ser eleito conselheiro tutelar em 2009, sendo reeleito em 2012. Em junho daquele ano a Associação Beneficente Evangélica da Floresta Imperial me convidou para assumir a direção do Lar Padilha.
Qual o principal objetivo do trabalho realizado pelo Lar?
Oferecer um espaço onde crianças e adolescentes possam viver sem nenhum tipo de medo, e onde possam brincar e viver a infância e juventude de maneira saudável. Ao mesmo tempo, poder resgatar os vínculos familiares e promover o retorno ao núcleo familiar. Este é o nosso maior desafio, e que nos traz uma grande alegria.
Como surgiu o interesse de atuar em questões sociais?
Sempre fui um incomodado social. Talvez por ter vivido em um ambiente hostil ou por ter visto muitos dos jovens com quem brincava serem mortos ou presos, principalmente por drogas ou violência. Nunca aceitei o clichê de que filho de pobre não tem chance, de que está fadado ao fracasso e que vai virar bandido. Tive um exemplo de pais e uma professora que me encorajou a pensar no futuro. Ela disse que eu poderia fazer uma faculdade, que eu conseguiria mudar de vida se realmente tivesse força de vontade. Depois, me tornei professor e tive apreço pela questão social. Mais tarde fui apresentado ao Lar, pelo qual me apaixonei e onde estou até hoje.
Como você se define?
Alguém inquieto e tranquilo, alguém chato e também legal, um amigo e parceiro, uma pessoa perseverante.
O que gosta de fazer em seu tempo livre?
Passear sem rumo, ficar sem fazer nada, praticar o ócio – o que ultimamente não tenho feito.
Um lugar: Bom, são dois: Florianópolis e Padilha.
Um livro: Pode ser dois de novo?
Saber cuidar, de Leonardo Boff, e Anjos também usam boné, de Doralino Souza da Rosa.
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“Educar as crianças e não será necessário punir os homens”.


