Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Quem diz que nunca se queixa de nada, na realidade está se queixando de algo.
FLORES E BORBOLETAS
A evolução da tecnologia, aprofundando a comunicação interpessoal, eliminando as fronteiras do privado e tornando públicos todos os nossos atos, representa a vitória do socialismo. São equipamentos do tipo telefone celular (a grande revolução do fim do século XX, suplantando o computador pessoal, embora navegando, praticamente, nas mesmas águas), e programas tipo “mídias sociais”, o Facebook, o Orkut e outros tantos. Tudo será do conhecimento de todos. Isto significará o final da propriedade privada que, aliás, é o grande bicho-papão das forças ditas “progressistas”.
Elas, finalmente, terão conseguindo acabar com o demônio da individualidade. E, vejam bem, com o auxílio da grande peste da humanidade, o capitalismo. Quem diria! O capitalismo exige produção e venda. Exige trabalho duro, porque todo o progresso para a evolução só pôde ser obtido quando o homem vislumbra a possibilidade de progresso pessoal. Ou alguém aí, realmente, acredita em campos verdejantes – cheios de flores e borboletas – como palco de um trabalho desinteressado e cantado pela glória maior de sua comunidade. Mas as forças progressistas (estranho, não é?, dar esse nome a tal corrente ideológica) não pensam bem assim. E continuam propagandeando os ideais bucólicos… desde que alguém continue produzindo para seus chefes.
Se, por um lado, é bom para elas, por outro, também elas se ressentirão por não poder programar nada, pois, também elas, não terão privacidade. Exceto, é claro, pela força, providência já tomada nos dias de hoje, e desde quando alguma tenha assumido o poder político. Basta ver os regimes cubanos e norte-coreanos. Esse é o preço a ser pago pela eliminação da vida privada. Olhem só os acontecimentos recentes postados na internete.
George Orwell, quando escreveu 1984, intuiu o controle das populações via televisão, rádio e espionagem. Porém, nem de longe, se deu conta que essas vítimas, o público, seriam dominadas por uma força emanada de suas vontades. O próprio capitalismo se renderia ao não privado por meio de suas manobras comerciais. Quanto mais quinquilharias eletrônicas forem postas à disposição das populações, mais fácil será saber da vida delas. Um telefone celular, desses que estão na mão até das criancinhas, é uma poderosa central de comunicação e diversão. É, ao mesmo tempo, uma porta escancarada para que se penetre na vida de qualquer de seus usuários. Lamentavelmente, a vida reservada, o segredo, continua sendo fonte de poder e segurança.
Vocês entendem meus comentários como contrários à comunicação eletrônica? Não é minha intenção. Apenas não há passarinhos nem borboletas nos inexistentes campos da vida atual. Para dizer a verdade, nunca houve. Sua existência é apenas uma lembrança atávica. O progresso sempre foi o resultado de uma troca. Mesmo as forças progressistas sabem disso. Só que os seus dirigentes continuam achando que podem controlar o destino.


