Depois que descobriu o prazer que seu homem era capaz de lhe proporcionar, Lucimara passou a fazer uso sistemático de alguns segredinhos e joguinhos que lhe retornavam sob forma de alucinante satisfação.
Como não era egoísta, e desde sempre costumava compartilhar com as amigas dicas de beleza e descobertas de produtos que faziam milagres na vaidade feminina, “Luci” também passou a divulgar seus trunfos de prazer com o marido. Esperta, ela logo percebeu que nesta seara o interesse das mulheres era ainda mais voraz do que com os segredinhos de beleza. Passou a cobrar pelas dicas de prazer com os maridos.
Pouco tempo depois, Luci já tinha um respeitável fundo de reserva para reaplicar em novas preciosidades de moda e beleza, que ela ia descobrindo com um talento incomum. Ficava cada vez mais bonita, menos estressada, tinha dinheiro para viagens, para freqüentar caras clínicas estéticas e até plásticas com renomados cirurgiões.
Com o passar do tempo, Luci percebeu que a galinha dos ovos de ouro poderia secar, se ela não renovasse suas estratégias. Foi então que se lembrou de introduzir uma dinâmica de grupo, numa espécie de workshop, tão em moda entre os consultores das mais diversas especialidades.
Seguindo esta linha de raciocínio, convidou três amigas bem aquinhoadas e os respectivos maridos para uma imersão de fim-de-semana. E não poupou na escolha, quando decidiu que o destino seria a paradisíaca Miami, com suas praias sedutoras.
Logo no primeiro dia do “passeio”, antes mesmo que os maridos descessem para o café da manhã, as mulheres estavam reunidas numa saleta locada por Luci para que pudessem falar com privacidade.
Quando eles despertaram do espumante com lagosta da noite anterior, que os colocou para dormir assim que pisaram nas respectivas suítes, elas os esperavam sedutoras, cheias de boas intenções para o novo dia. Ainda sob ressaca, os maridos próprios sugeriram que fossem direto ao café da manhã. E de lá seguiram para o Dolphin Mall, onde elas os induziram direto às lojas masculinas de grife.
Mesmo enfrentando alguma resistência dos homens às compras para renovar os guarda-roupas deles, elas os incentivaram à exaustão, alegando a vantagem dos preços, e ponderando que jamais teriam oportunidade de adquirir aquelas grifes no Brasil. Arrematando, argumentavam que o novo visual faria toda diferença nas performances profissionais dos respectivos, “pois todas as portas se abrem a homens inteligentes e charmosos, sobretudo quando estão com o código visual perfeitamente alinhado”. Quem resiste a um argumento destes? O marido de Luci foi o primeiro a sucumbir, imaginando que efeito seu “código realinhado” causaria sobre a gostosa e gélida representante comercial que sua agenda reservava para o retorno da viagem. Quando ele cedeu, os demais sacaram também de seus cartões de crédito, pois homem algum gosta de se mixar para outro.
Como homens são rápidos nas compras, eram 11h30min quando já se deram por satisfeitos, agora orgulhosos de suas sacolas estampando grifes.
Luci se mostrava vibrante. Homens autoconfiantes são muito mais quentes, e eles estavam podendo! Mas havia também um traço de nervoso na atitude de Luci, que nenhuma das outras ainda tinha percebido, quando o marido da nossa “consultora” teve um lampejo de lucidez:
– Mas vocês só nos acompanharam, dando sugestões e palpites, o que está acontecendo? Não vão às compras?
E Luci se antecipou às outras mulheres:
– Não, querido, melhor relaxar num bom restaurante, experimentar um prato local diferente, um bom vinho… À tarde a gente dá uma olhada nas lojas!
Pronto! Luci, que já encantava pela bonita estampa e pela articulação, colocou de quatro aquela platéia masculina, sob cumplicidade das demais mulheres, que apenas trocaram olhares, concordando entusiasmadas.
Piscando para suas cúmplices, Luci sugeriu que apertassem o passo, pois o relógio já marcava 11h45min. Assim, sob o arranjo orquestrado pelas mulheres, às 11h55min sentavam-se todos à melhor mesa do restaurante escolhido.
Lição primordial do wokshop ministrado por Luci às mulheres: “No dia-a-dia, mas principalmente em viagem, jamais deixe que a “Fome de Homem” estrague seu passeio e, principalmente, suas compras. Homem faminto, invariavelmente, é mal-humorado. Bem alimentados e com a autoestima em alta, eles se tornam excelentes parceiros para o lazer, para o amor e… para as compras, é claro!
Esta postagem foi publicada em 31 de janeiro de 2014 e está arquivada em Paralelas.



