Imaginar, sonhar e saborear os momentos aguçam a sensibilidade. Julgar “gosto/não gosto” é uma forma mais comum de apreciação. Muitas vezes, é o sensível e o informal banalizados por um olhar anestesiado pelo belo e o feio.
Considerar uma visão mais ampla do conhecimento abarca valores que deveriam ser evidenciados na educação dos sentidos. Tais experiências precisam ser estimuladas e desenvolvidas nas escolas. Nesse sentido, a educação favorece a cultura de um povo capaz de permitir a inclusão social.
Necessita-se despertar e treinar a sensibilidade, melhorando o modo de vida sustentável. Vincular à vida experiências e eventos com arte poderá desenvolver a sensibilidade?
Assim, nessa contextualização, visitar exposição de artes plásticas é uma ruptura no cotidiano. Ah, não tenho tempo! Muito serviço! Estava muito frio!
Perceber o valor das coisas requer uma linguagem diferenciada. Aproveitar cada acontecimento, como se fosse único. Estar atento aos eventos e aos objetos e, além de aprendê-los, permitir exaltá-los, considerando vida do universo, educando assim a sensibilidade. Significados peculiares à existência num mundo com o qual estamos em simbiose.
O artista, talvez, irradie sensibilidade numa dimensão materializada da sua imaginação, originando o redescobrimento de formas plásticas e sonoras. Interligação de sensibilidade, quando realiza a dissolução da matéria bruta, quando realiza seu potencial criador.
Comunica o indizível entre formas, fala da vida, dos encantos e desencantos, dialogando com a contemporaneidade.
Arte é construtiva e criadora, e o espectador pode embebedar-se com a obra representada. Estabelecer dialética de visibilidade e visualidade. De qual ângulo posso visualizar essa obra? Aquilo que se vê é somente o que se vê?
Urge a necessidade de valorizar o sensível e o inelegível, conquistando assim maneiras de saber saborear os momentos da vida. O olhar crítico de estranheza e inquietude sensibiliza o ser humano. Numa exposição com obras de arte, instaura-se a fábula do olhar, oportunizando sensibilidade, pureza, tranquilidade e bem-estar às pessoas que se permitirem serem tocadas por esse olhar de visibilidade.
Elisabeth Sauer
Artista plástica, membro efetivo Academia Lítero-Cultural Taquarense
Esta postagem foi publicada em 20 de agosto de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.


