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Esta postagem foi publicada em 23 de abril de 2021 e está arquivada em Haiml & etc..

Grandes esperanças – Oscar 2021, por Luiz Haiml

GRANDES ESPERANÇAS, OSCAR 2021

Desde que meu colega, o professor Márcio, realizou um sonho da minha vida e me ensinou a baixar filmes, tenho tido acesso a coisas incríveis, e tenho conseguido acompanhar melhor as grandes premiações, Globo de Ouro e Oscar, o que antes não me era possível. Do Oscar que vai ocorrer agora, domingo próximo, assisti praticamente todos os concorrentes principais, e digo, não teve nenhum para o qual eu torcesse o nariz, todos merecem, por algum motivo, serem vistos. Temos o petardo imperdível, “O Som do Silêncio” (The sound of metal), sobre um baterista de punk rock que começa a perder a audição e tenta viver com as dificuldades de aceitar uma situação que não tem volta. “Betterdays”, perturbador drama chinês baseado em fato verídico sobrebullying escolar cujas tristes consequências vão tornar mais rígidas as leis chinesas em relação a tal assunto. 

Em “Nomadland” descobrimos que nos EUA há uma tribo de aposentados que não quer morrer em casa e nos hospitais, ou que precisa de mais renda, ou ambas as opções, e que então pega a estrada só para curtir sua liberdade, alguns deles trabalhando aqui e ali, sendo que em vários momentos de tal jornada se encontram e se ajudam. “Quo Vadis, Aida” também verídico e é um dos meus preferidos: o que um povo não faz com outro por causa de etnia e território. De doer o coração.

Temos uma boa representação de filmes com atores negros em grandes atuações trazendo temas importantes.  “Uma noite em Miami”, quatro ícones reais da cultura negra se encontram para uma comemoração que irá acabar numa polêmica discussão. “A voz suprema do blues” (um texto teatral dilacerante formatado dentro de um ensaio da banda de MaRainey);  “Judas e o messias negro” (um alcagueta mostra o fim  do líder dos Pantera Negras, revolucionários cansados de sofrer nas mãos dos racistas brancos); “Os sete de Chicago” (líderes de grupos diversos que protestavam contra a guerra do Vietnã são presos e indevidamente julgados);“Estados Unidos vs. Billie Hollyday” (o país tentava injustamente incriminar a grande dama do jazz) e até a bacana animação “Soul” (Pixar/Disney), onde o personagem central é de origem afro, trata de música negra e é dublado por Jamie Foxx.

Pela primeira vez há no páreo duas diretores mulheres: Chloe Zhao, com o já citado “Nomadland”, e Emerald Fennell com a ótima comédia de humor negro “Bela Vingança” que todos, maiores de dezoito, deveriam ver.

Há ainda a “Mank”, onde David Ficher mistura o estilo de Orson Wells com a vida do mesmo; “Minari”, coreanos tentando viver como americanos; “Drunk”sobre as agruras do beber ou não beber; “Colectiv”, escândalo politico como causa de um incêndio numa boate de lá que matou vários jovens, como a Kiss aqui no Brasil, a diferença é que lá conseguiram trocar o governo; “O homem que vendeu sua pele”, por amor, um homem se torna uma peça de arte. Temos Tom Hanks com dois “filmaços” em três categorias técnicas, “Greyhound” e “Relatos do Mundo”. “Tigre branco”, uma Índia repleta de deuses e religiosidades e ao mesmo tempo corrupta até as orelhas. Por isso que brasileiro diz “estar em casa” quando chega lá.

E, para todos, crianças e adultos, há a animação em massinha “Shaun, o carneiro – a fazenda contra ataca”, agora zoando com o universo da ficção-cientifica; o belo traço de uma fábula europeia sobre lobos em “Wolfwalkers”; “A caminho da Lua”- uma das minha preferidas – sobre perda e amor adulto, com um pouco de musiquinha; “Soul”, com pique autoajuda e também lidando com tema metafisico, tudo isso regado a jazz.

E surpresa, o Borat, é o despirocado Sacha Baron Cohen concorrendo como Melhor Ator Coadjuvante, e convenhamos, ele está muito bem em seu papel sério, inclusive na semelhança física com a pessoa verdadeira que ele representa em “Os 7 de Chicago” (foto); a outra categoria é a de Roteiro Adaptado com a transloucada comédia “Borat – fita de cinema”, que concorre também a Melhor Atriz Coadjuvante.

Virtual, pela primeira vez, e atrasado pelos transtornos da pandemia, mesmo assim será um Oscar de não se perder.

Por Luiz Haiml
Professor, de Taquara
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