
Os trabalhadores das agências dos Correios de Igrejinha e Parobé aderiram à greve nacional iniciada nesta quarta-feira (17). A movimentação alcançou nove estados da federação e busca a manutenção dos salários e benefícios da classe. Segundo a estatal, nenhum serviço foi paralisado totalmente, mas há lentidão nas distribuições, de acordo com representantes do movimento grevista.
Em conversa com a Rádio Taquara, o secretário – Geral do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect RS), Alexandre Dos Santos Nunes, falou sobre as reivindicações dos trabalhadores.
Segundo ele, em julho deste ano, os trabalhadores apresentaram aos Correios um pauta nacional de reivindicações. Em agosto, a estatal negou os pedidos. Ainda conforme o representante, a empresa diz “estar em crise” e quer reduzir os valores pagos aos trabalhadores. A nova proposta é pela manutenção dos subsídios já existentes.
Nunes acredita que a fala é apenas manobra do governo federal para não reajustar os valores. De acordo com ele, existe “uma política econômica do governo Lula que prevê não dar reajuste para os trabalhadores”.
A disputa judicial é intermediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Nesta quinta-feira (18), foi publicada uma liminar que determina a manutenção mínima de 80% dos trabalhadores nas unidades abrangidas pela paralisação.
Conforme dados passados pelo Sintect RS, cerca de 76% dos trabalhadores que atuam na distribuição no Estado pararam. A área de atendimento é a menos afetada, apenas com a redução de horários nas agências. Apesar disso, tanto os Correios quanto a classe trabalhadora afirmam que a liminar imposta pelo TST está sendo cumprida.
O Secretário – Geral diz que o trabalho é mantido pela capacidade da empresa em realocar funcionários de uma cidade para a outra. Assim, agências que não aderiram à greve “emprestam” os funcionários a outras regiões. Ele afirma que o número reduzido de funcionários vai causar lentidão nos serviços prestados.
Segundo os Correios, “as agências permanecem abertas para atendimento ao público, e as entregas estão sendo realizadas em todo o país“. A estatal afirmou, ainda, em comunicado à imprensa, que “adotou medidas contingenciais que garantem a continuidade dos serviços essenciais à população“. Confira o posicionamento na íntegra ao final da reportagem.
O sindicato que representa os trabalhadores afirma que o movimento vai se intensificar ao longo dos próximos dias. Nas próximas segunda (22) e terça-feira (23), ocorrem manifestações em Porto Alegre, promovidas pela classe.
Ao final da tarde da terça-feira (23), também ocorrem assembleias nos estados brasileiros que não aderiram à grave para analisar a situação e adotar um posicionamento diante da crise.
A Rádio Taquara tenta contato com representantes das agências de Igrejinha e Parobé para consultar os horários de atendimento durante o movimento grevista.
COMUNICADO DOS CORREIOS À IMPRENSA:
As agências permanecem abertas para atendimento ao público, e as entregas estão sendo realizadas em todo o país. Nesta quinta-feira (19), 90% do efetivo dos Correios está trabalhando.
Dos 36 sindicatos que representam os trabalhadores da estatal, 24 não aderiram à paralisação iniciada na quarta-feira (17). O movimento segue concentrado em parte do efetivo vinculado às bases sindicais no Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, além de algumas regiões de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Os Correios aguardam a deliberação das entidades representativas dos empregados sobre a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025/2026 apresentada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) na quarta-feira (17), após as audiências de mediação.
Para mitigar eventuais impactos operacionais, a empresa adotou medidas contingenciais que garantem a continuidade dos serviços essenciais à população. O Tribunal também publicou, nesta quinta-feira (18), liminar que determina a manutenção mínima de 80% dos trabalhadores em atividade nas unidades dos Correios abrangidas pela paralisação.
A estatal segue à disposição dos clientes pelos canais de atendimento: 4003-8210 (capitais e regiões metropolitanas) ou 0800-881-8210 (demais localidades).


