Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Trabalho em grupo, nas escolas, tem uma grande utilidade: descobrir quem é esperto o suficiente para ganhar a nota sem trabalhar.
GUERRA CIVIL
Não temos um mês passado das eleições municipais e já, nós, professores da rede estadual de ensino, embarcamos em outra disputa democrática: a eleição para o cargo de diretor de escola. A existência desse certame é saudada como uma grande vitória pelas forças ditas humanistas da sociedade. Por exemplo, o sindicato dos professores a usa como um sinal de honestidade, coragem e eficiência de sua atuação, pois durante muito tempo batalhou por ela. A propaganda sobre esse pleito tem sido tão eficiente que, quando algum integrante de um cargo público quer dar mostras do quão sérios são seus objetivos no cargo para o qual foi eleito, logo fala no assunto, prometendo criar lei para a sua implantação. Muita gente saúda a iniciativa, mestres principalmente.
Entretanto, basta pensar um pouquinho para chegarmos a uma conclusão um pouco incômoda: presidentes, governadores e prefeitos, que nomeiam auxiliares para cargos de comando de maior peso na hierarquia de sua administração, não podem, por força legal, fazê-lo em relação a uma escola. Escolhem os mandatários de sua confiança para o ensino, no caso ministros ou secretários de educação, mas não quem vai executar suas políticas. Não é irônico?
O mais interessante, ainda, é que a autonomia conseguida pela eleição de um diretor numa escola é, apenas, suposta. Nunca vi qualquer colégio, com ou sem diretor eleito, tomar decisões contrárias às determinações superiores, mesmo quando o seu eleitorado assim o desejasse. Como escrevi acima, a autonomia é uma suposição onírica.
Sem duvidar das boas intenções de quem promete e de quem recebe a promessa, teço algumas considerações a respeito. Rapazes, é uma verdadeira guerra civil! O país fica restrito a um pequeno território, a escola. O inimigo senta-se do outro lado da mesa na hora do recreio na sala dos professores. Ali está seu companheiro (logo, logo “ex”) de tantos projetos, visando a um melhor resultado para o real objetivo da existência da escola, os alunos. É que, tratando-se de competição, ninguém se comporta poética e amistosamente. Usam-se todos os tipos de recursos e baixarias; escavam-se histórias da vida particular – reais ou imaginadas; criam-se fatos com o objetivo de denegrir os candidatos da “outra chapa”, agora transformados em adversários, tal qual nas disputas eleitorais por cargos públicos. Diga-se, a bem da justiça, isso vale para qualquer eleição, até no time de futebol de seu coração. Ninguém quer ser derrotado!
O mais trágico, como em qualquer guerra, depois da luta, vem a caça às bruxas. Os vencedores não suportam os derrotados (e aqui se incluem seus correligionários) por terem se atrevido a desafiá-los. Até hoje, de todas as eleições escolares de que tenho conhecimento, entre mortos e feridos, se ninguém morreu, pelo menos todos ficaram, de alguma forma, feridos, mesmo entre os vitoriosos.
É mais uma pedrinha no sapato da educação.


