Você ainda tem pai? Como é ele? Se ainda o tem, ou teve, merece ele receber as três letras que formam tão sagrada palavra?
Veja: sujeito em briga com a esposa, feriu gravemente a facadas o filho de quatro anos; “pai” mata o filho recém-nascido, “pai” joga filho pela janela; “pai” abandona filho em lixão.
É, muitos de nós temos que agradecer aos céus pelo pai que nos foi dado ter. Afinal, temos um pai que não se embriaga, um pai que não usa drogas, um pai que não cria confusões com a esposa, um pai que não mata, não estupra (seja física, seja psicologicamente), mas temos um pai que se importa, que ajuda, na medida do possível, quando precisamos. Temos um pai que preserva a união da família, e não o contrário.
É certo que relações em núcleos familiares nunca são perfeitas. Há, em vários momentos, intensas divergências: pais que não aceitam atitudes/ pensamentos dos filhos, ou o contrário. Mas, paradoxalmente, isso é que é o normal de uma boa relação. Muitas vezes, essas divergências levam a tempestuosos arranca-rabos, portas batendo, cada um saindo furioso/ perplexo para cada lado, choradeira, drama, uma novela.
No entanto, no meio dessas guerras ideológicas familiares, quando há carinho enraizado na relação pai-filho, logo virá a reconciliação, o perdão. É certo também que as necessidades da vida tiram muito o tempo em que um pai deveria estar mais presente no lar. Ao contrário do que se pensa, não é somente a mulher, a mãe, que precisa ficar mais tempo ao lado do crescimento e da formação de um filho.
A presença do pai é de suma importância, e ele não deve só se preocupar em ganhar o pão de cada dia, ou mostrar-se exemplo de masculinidade. Deve dar mais tempo aos filhos, mostrar-se mais sensível. Nota-se que alunos-problema têm ou pai morto, ou separado, ou problemático também. Dos separados, poucos se importam em visitar os filhos. Mas há casos em que padrastos se saem melhores que os pais de verdade.
Eu – e talvez você, leitor – ainda tivemos a sorte de termos um pai que nos conduziu o melhor que pode, que nos ensinou a seguir pela vida das formas mais corretas possíveis, mesmo que às vezes não tenhamos seguido tais lições. Afinal, cada um tem uma forma de pensar, um jeito de ser. Um pai e um filho não precisam ter os mesmos gostos para se gostarem, se respeitarem, sentirem carinho um pelo outro. Carinho é outra coisa que, embora tenhamos, não demonstramos sempre, ou demonstramos de formas diversas. Este texto, por exemplo, é uma demonstração do meu ao meu pai.
Luiz F. Haiml
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