Descobri Pippi no último recesso escolar, na primeira semana dele, já que o tivemos forçadamente estendido. Uma forte gripe, graças a Deus não a gripe A, me pegou de jeito. Precisava ler algo, mas a doença mandava aliviar, nada pesado, nada que forçasse o cérebro, mas precisava de uma boa diversão-distração. Lembrei-me então de Pippi, ou melhor, da “Pippi Meialonga” que trouxera da biblioteca da minha escola para ler em casa. “Pippi Meialonga” é um dos muitos livros que vieram numa recente leva enviada pelo governo, que há tempos vem caprichando em abastecer bibliotecas escolares com obras de muito boa qualidade.
Mas afinal quem é Pippi Meialonga? Pipi é uma menina órfã, a mãe morreu quando ela era pequenininha, bebê ainda; o pai, capitão de navio, a levou para suas viagens, mas um temporal o jogou ao mar e, desde então, não se soube mais dele. Pippi então foi morar na casa que o pai havia comprado para os dois. Ela sabe que a mãe é morta, mas não se abala, pois tem certeza que a mesma olha por ela lá do céu, assim como tem certeza que o pai não se afogou e que ainda irá voltar. Pippi mora sozinha, não exatamente sozinha, mas com o Sr. Nilson, um macaquinho bem obediente, e um cavalo. Pippi não frequenta escola, mas vive muito bem em seu lar sem adultos. Sabe cozinhar, faz bolos, panquecas, chás e cafés, sabe passar bem o seu tempo.
Pippi tem nove anos, é magrela, comprida, sardenta, tem grande cabeleira ruiva atada em duas compridas tranças. Seu referencial em moda são duas meias longas e diferentes, sapatos o dobro maiores que os pés (e ela adora usá-los) e um vestido no qual pregou certos retalhos. Mas o que encanta em Pippi, além de ser tão puramente politicamente incorreta, é que ela não está nem aí, está sempre feliz, mesmo sozinha, mesmo em dia de inverno, em dia de chuva, ela está sempre inventando algo, se distraindo com alguma coisa, nunca deixando algum sentimento ruim tomar conta dela. Pippi é uma inocente grande moleca. Tudo para ela é novidade, é festa. Muito forte e esperta, é um baú de atitudes inesperadas, uma força da natureza em toda sua beleza de querer viver.
A mãe real de Pippi é a sueca Astrid Lindgren (1907-2002) que, segundo a edição que li, publicada pela Companhia das Letrinhas (seção da Companhia das Letras dedicada ao mundo infanto-juvenil) escreveu mais de 80 livros, traduzidos em mais de 70 línguas. Em 1958, ela ganhou o Hans Cristian Andersen, o mais importante prêmio de literatura infantil mundial.
Meu próximo passo é ver o que Pippi apronta em outros dois livros seus já publicados por aqui: “Pippi a bordo” e “Pipi nos mares do Sul”. Existe uma série em desenho animado sobre Pippi, mas lê-la em texto é bem mais gostoso. Pippi, uma espécie de Emília com Denis, o pimentinha, não forçou meu cérebro, fez melhor, fez rir meu coração, que andava esquecidamente no escuro.
Esta postagem foi publicada em 11 de setembro de 2009 e está arquivada em Colunas, Haiml & etc..


