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Esta postagem foi publicada em 22 de janeiro de 2010 e está arquivada em Colunas, Haiml & etc..

2012 – Antes que venha o amanhã

Nossa vida vai acabar em 2012? A Terra sofrerá um terrível abalo em 21 de dezembro, mês do meu aniversário? É “chover no molhado” negar que a Natureza, a Terra, o Cosmos se convulsionam, se transmutam de vez em quando, pois tudo é um grande organismo, como um corpo humano, mas é inegável também que estamos ajudando bastante a apressar tal fato e a torná-lo bem pior. Digamos assim, a Terra é por sua natureza epiléptica, e estamos dando a ela o comprimido errado.
O que temos de fazer é arrumar soluções para escapar disso, e uma das melhores é sair da Terra: condomínios na Lua, em Marte, seja onde for, mas fora daqui. O problema é que, se você for apenas um sujeito comum como eu, esqueça, não iremos. Só levarão um seleto grupo para tentar manter viva a raça humana – e mais um outro de gente com muita grana e que comprou assento bancando a construção/execução de tal projeto.
“2012” é legal no cinema, onde nos quedamos inebriados por efeitos especiais, suspense e emoções geradas ao ver em máxima ampliação o caos ambiental que vivenciamos cada vez mais constante/simultâneo na vida real. Aí estão os exemplos de Três Coroas, Angra dos Reis, Haiti… E, se alguém achar que as aventuras do protagonista são muito disparatadas, que pense: “diante do fim do mundo, o que um pai de família não faria para tentar salvar os seus?”. Meus filhos, quem saberá o que faremos, ou o que tentaremos fazer, quando o apocalipse estiver em nossos calcanhares?
“2012” não é só uma grande e bem-feita diversão catastrófica, não é só uma tremenda viagem saudosista pelos filmes-desastres (Terremoto, Inferno na Torre, Aeroporto, O Destino do Poseidon…) que me vinham aos sentidos durante a projeção da obra de Emmerich. É um passeio por um horrível-possível amanhã, onde estarão juntos todos os “pequenos” 2012 que estamos vendo hoje, unidos em única combustão total, seja isso em que data for.
Mas “2012” também prega sobre a finitude humana: não deixemos decisões importantes para depois, pois nunca sabemos o dia de manhã, quando, talvez, não dê mais tempo de dizer “eu te perdoo”, “eu te amo”, ou fazer aquelas boas ações que deveriam ter sido feitas. Será meio difícil consertar as coisas quando estivermos rolando para dentro das goelas apocalípticas que se abrirão sob nós.
Enfim, quando a grande onda vier ou qualquer coisa da tragédia final estiver despencando sobre nós, se não der para fugir, resta é olhar a morte de frente, aceitá-la, impávidos, e nos conformarmos de que a Natureza pelo menos é justa: põe todos no mesmo barco.

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