Colunas Haiml & etc.
Esta postagem foi publicada em 26 de novembro de 2010 e está arquivada em Colunas, Haiml & etc..

Reflexões de novembro

Eu ia falar sobre os Beatles, afinal é o grande assunto do momento.  Motivaram-me ainda mais certas linhas escritas por um dos repórteres deste jornal que teve a chance de ver Paul, um dos últimos remanescentes dos 4 de Liverpool, ao vivo. Mas novembro traz em si uma data fixa que dá muito pano para reflexões: Finados. Então, não vou falar, pelo menos agora, sobre Paul, ou sobre o fabuloso quarteto. O assunto aqui hoje será um pouquinho mais pesado.
Confesso que, até não faz muito, não tinha medo da morte. Preocupava-me mesmo era a forma como a danada fosse querer me levar: lentamente, em agonia, em dor. É correto dizer que certas pessoas não merecem o fim que tem, embora religiões e doutrinas tenham explicações lógicas para isso.
Quanto ao outro lado, não me preocupava muito com ele – quem sabe não haveria mais nada e, assim, preocupações, contas, ansiedades, tudo daria seu último suspiro sob a fria laje. Finalmente então estaríamos longe e livres de todas as atribulações. Mesmo que tal tipo de fim tirasse o sentido de tudo, de tudo o que fizemos ou deixamos de fazer. E, se houvesse um céu e um inferno, realmente não me importava muito para onde eu iria. Desde que, para onde eu fosse, não tivesse que encontrar certas pessoas. O mesmo pensarão elas de mim?
Mas, enfim, de uns tempos pra cá, tenho me preocupado, de verdade, com o além da vida. Será pela idade, amadurecimento, ou efeito de uns check-ups que tenho de ir providenciando? É, ando meio ressabiado com o que poderá haver além do último portal, o que fica além da carne, deste plano físico. Ando olhando para tal lugar com mais respeito, seriedade, e tal preocupação tem me feito tentar ser um sujeito melhor, não por esperar recompensas, mas para poder ter, lá do outro lado, uma função, uma missão.
Acredito que, se conseguirmos ser seres dignos por aqui, na outra vida seremos algo semelhante a anjos, ou seja, ajudaremos outros seres, seja em que plano for, em suas evoluções. De qualquer forma, temos todos, um dia, que responder à morte. Ela é a única coisa que vence a todos, pelos menos a nós, em nossa porção mortal.
Mas desrespeito à morte é o que se vê acontecer no cemitério de nossa cidade. Sairá muito caro pôr vigias se revezando em tal lugar? Algumas luzes potentes que afastassem os vândalos? Seja de dia, seja à noite, aquilo com certeza vive num silêncio mortal, então, como alguém não conseguiria ouvir os barulhos da depredação que têm violado a santa paz do solo sagrado?

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