… Para entender que nossos pais não são meros chatos quando, ao ensaiarmos nossos primeiros passos e explorações ao mundo, nos impõem limites em nome da nossa segurança, ou por insegurança (deles, ou do meio, quem sabe?)… Paciência quando, na escola, os pais se autorizam a ingerir sobre nossas amizades; os professores sobre nossa conduta e disciplina; e também na adolescência, quando a sociedade faz reparos aos nossos romances e critica nossa indecisão sobre futuros rumos.
… Quando ingressamos no mercado de trabalho e os chefes não entendem nossa genialidade, acham que precisamos começar de baixo, justo nós que fomos treinados para sermos líderes, e não meros peões para tarefas que achamos menores. Haja paciência! De liderados e chefias…
… Paciência quando amamos e não somos correspondidos; também quando deixamos de amar e somos incompreendidos.
… A maior das paciências nos é exigida quando chegam os filhos. Que os incautos não pensem que é pura poesia, perpetuação; é também rotina, resignação.
… Paciência para enfrentar possíveis altos e baixos de uma carreira profissional, por vezes avassaladora, quando sua estabilidade é ameaçada por circunstâncias alheias à nossa dedicação e competência.
… Bastante paciência, e muita ousadia, diante de um negócio próprio, que por vezes beira o insucesso, suscetível que é a variáveis do mercado, da política econômica, da conjuntura internacional, da equipe de trabalho, da evolução dos costumes, da nossa própria energia e capacidade para gerir um negócio que, de seguro mesmo, só nos dá garantia até a próxima variação cambial, eleitoral, digital, o escambáu…
… Paciência com nossos pais envelhecidos, que nesta fase podem se tornar frágeis, um tanto dependentes, ou até mesmo carentes, se, com sorte, não se tornarem dementes, ausentes da vida que segue se arrastando. Paciência em ampará-los, pois que no passado nos queriam voando, deles libertos e independentes, e agora nos querem e precisam de volta, disponíveis, amorosos… pacientes.
…E quando chegarmos lá, perto da curva derradeira, será que teremos paciência com a gente que já não nos enxergará? Que passará por nós como se fôssemos a sobra obsoleta de uma história irrelevante…
Paciência! Até que este momento chegue, talvez sejam outros tempos… em que as máquinas evoluam menos e nossos corpos encontrem mais tempo de juventude, maior longevidade, muita eficiência de cura… E, necessariamente, almas mais contemplativas, desarmadas… pacientes.


